Bovespa despenca 12% na semana e dólar valoriza 10,5%
A semana termina com forte queda das bolsas de valores para desespero dos investidores e alta acentuada do dólar. Aliás, a moeda norte-americana no cá¢mbio comercial atingiu nesta sexta-feira (3) o maior valor desde agosto de 2007, tendo fechado a R$ 2,044. Durante a sessão, a divisa chegou a subir 2,23%, para R$ 2,066. Na mínima do dia, ela bateu R$ 1,999, uma queda de 1,09%. Na semana, a moeda norte-americana valorizou 10,53% ante o real.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) oscilou ainda mais depois da aprovação do pacote de ajuda ao mercado financeiro nos Estados Unidos. As ações que vinham em alta de 2% antes da decisão, começaram a cair com a aprovação e o índice Bovespa fechou com baixa de 3,53%. Na semana, o Ibovespa acumulou prejuízo de 12,33%.
Os principais mercados da Europa fecharam em alta nesta sexta-feira, influenciados pelas ações dos bancos, mediante expectativa de aprovação pela cá¢mara dos EUA do pacote de socorro ao mercado financeiro. O outro fator foi que, com a elevação de corte de vagas no mercado de trabalho norte-americano, aumenta a possibilidade de redução na taxa de juros no curto prazo do banco central dos Estados Unidos (Fed) e de outros bancos centrais. Em Nova Iorque, a queda das bolsas superou a casa de 1%.
Segundo o analista de cá¢mbio da Liquidez Corretora, Francisco Carvalho, a aprovação do resgate financeiro era algo bastante esperado, mas não resolveu o maior problema do mercado, que é falta de referência de preço. Carvalho aponta que os agentes estão perdidos, pois não há equilíbrio de preço em nenhum mercado. Não se sabe o preço do dólar, da Libor e das ações em bolsas, por isso dessas reações pouco convencionais, como a observada nesta sexta-feira.
Para o analista, no caso do dólar, o que ajudaria o mercado a achar o “preço justo” da moeda seria uma maior atuação do Banco Central. Na sua opinião, o BC tem que começar a atuar para inibir esse grau de volatilidade. Da maneira que está ela traz o especulador para o mercado, o que realimenta a própria instabilidade.
Carvalho lembra que quando o dólar estava em trajetória de baixa, o BC atuou diariamente contendo a velocidade de depreciação. Agora, com o dólar disparando cerca de 20% em um mês a autoridade monetária se mantém ausente do mercado.








