Alta da taxa básica de juros estimula procura por consórcio imobiliário

consórcio imóveisO aumento da taxa básica de juros, que deve passar por novos reajustes até o fim desse ano, está impactando o crédito imobiliário de diferentes formas. Se por um lado o reajuste encarece os financiamentos habitacionais, por outro estimula a procura pelo consórcio de imóveis. Em virtude da primeira alta da Selic anunciada em abril desse ano, em que a taxa anual passou de 7,25% para 7,5%, algumas administradoras identificaram um aumento de até 20% na busca pelo consórcio. “Sentimos esse crescimento de forma instantânea, porque isso impacta o planejamento familiar e profissional das pessoas”, afirma a consultora de consórcios da Porto Seguro, Rafaela Wolf. De acordo com o diretor da Senzala Corretora de Seguros, André Coutinho, é natural as pessoas buscarem opções mais conservadoras de crédito com a alta dos juros.

A se considerar o último boletim Focus divulgado pelo Banco Central, nesta semana, a busca pelo consórcio imobiliário deve ter um aumento ainda maior. A previsão é que, até o fim desse ano, a Selic chegue à marca de 9,25% ao ano. “O consórcio imobiliário é promissor para os próximos 20 anos. A parcial desse ano já está melhor do que a do ano passado, este acima das expectativas. Ainda existem muitos lançamentos em andamento e previstos pelas construtoras”, afirma Rafaela.

Segundo Coutinho, os jovens casais com idade entre 25 e 35 anos são o principal público do consórcio imobiliário na capital paranaense. Muitos deles já têm um imóvel e optam pela modalidade de crédito para complementar o saldo a pagar na aquisição de um imóvel maior. Entretanto, há uma tendência de crescimento do público single, os solteiros, que buscam o primeiro imóvel. “Notamos o crescimento da participação de jovens que ainda moram com os pais e pretendem adquirir a casa própria no longo prazo, optando pelo consórcio”, revela.

As classes A e B ainda são o grande filão do consórcio imobiliário. Isso porque, para adquirir a carta de crédito, o consorciado não pode comprometer mais de 30% da sua renda mensal com as prestações, regra essa que vale também para o financiamento imobiliário. Como exemplo, ao se considerar uma cota de R$ 200 mil para pagamento em 180 meses, esta a mais requisitada para a compra do imóvel devido à valorização dos últimos anos, a parcela mensal é de R$ 1.355,05, em média.

A renda mínima exigida para a aquisição de uma carta de consórcio imobiliário, que nessa situação exigiria um rendimento mensal mínimo de R$ 4,5 mil, seria um impeditivo para o acesso da classe C ao consórcio imobiliário. Entretanto, Coutinho lembra que em bairros afastados do eixo central de Curitiba e na região metropolitana ainda pode-se encontrar imóveis com preço entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, o que torna possível a adesão da classe C ao consórcio imobiliário.

Isso porque, considerando uma carta de crédito de R$ 100 mil para pagamento em 15 anos, a prestação seria de R$ 695,12 por mês, em média. Para abocanhar essa fatia de mercado, algumas seguradoras e administradoras de consórcio já contam com grupos com prazo de até 200 meses, o que gera o barateamento das parcelas. Outras, como a Porto Seguro, estudam a criação de grupo com prazos mais estendidos.

Adquirir um imóvel na planta ou em construção é a principal finalidade do consórcio imobiliário. Isso porque, para ter o crédito liberado, é preciso que a carta seja comtemplada, o que acontece via sorteio ou lance. “A não ser que a pessoa tenha um montante de recursos para ofertar o lance. Nesse caso, a chance da carta ser contemplada nos primeiros três meses é grande e possibilitaria a compra do imóvel no curto prazo. Porém, é necessário que ela tenha em torno de 50% do valor total da carta, somando-se as taxas, para que o lance seja competitivo”, avalia Rafaela.

A consultora de consórcios da Porto Seguro, Rafaela Wolf, afirma que o planejamento para a aquisição do imóvel garante economia para o comprador, considerando que ao optar por um financiamento ele chega a pagar até duas vezes o preço final do imóvel. No consórcio, não há taxa de juros. O diretor da Senzala Corretora de Seguros, André Coutinho, explica que, mesmo que haja a cobrança de uma taxa de administração, esta em torno de 1% ao ano, e exista um indexador para atualização das parcelas mensais, o valor ainda é menor do que os juros cobrados pelo banco num financiamento.

No consórcio imobiliário, as parcelas são corrigidas anualmente com base no INCC (Índice Nacional da Construção Civil), que tem se mantido na média de 7%. Automaticamente e na mesma proporção do reajuste da prestação ocorre a atualização do valor final da carta de crédito. “Isso faz com que o valor contratado acompanhe de certa forma a valorização dos imóveis no período e seja condizente com o momento do mercado na hora da compra”, avalia Coutinho.

Assim como no financiamento bancário, o consórcio de imóveis dispõe de seguro de vida prestamista. Se o responsável pela carta de crédito vier a falecer durante a vigência da cota, a seguradora quita o saldo devedor e os herdeiros legais recebem os recursos. No caso de desemprego, o cotista pode ficar até três meses sem pagar. No quarto mês, se o débito não puder ser negociado com a administradora, a cota é cancelada e revendida para outra pessoa. Nesse caso, o titular da cota recebe o valor pago até o momento do cancelamento, descontadas as taxas proporcionais ao período de contribuição, além de um percentual de 10% pela rescisão contratual anterior ao término do grupo. A devolução é feita até o término do grupo, por meio de sorteios realizados mensalmente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *