Aliança estratégica torna empresas de TIC mais competitivas
A união (realmente) faz a força. A frase de efeito que virou jargão popular é verdade também nos negócios. Que o digam três empresários de pequenas empresas paranaenses da área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que já colhem os frutos de terem encarado o desafio de firmar uma aliança estratégica ao criar o Grupo APR – Tecnologia para Transportes, em 2012. Hoje, o grupo já se posiciona como um dos maiores em desenvolvimento de softwares para transportadoras de cargas e gestão de frotas na região sul do Brasil. E os empresários desejam mais, trabalham agora para ficar entre os maiores do segmento no País, até o ano de 2015.
As empresas Tecinco, em Cascavel; a Transdata, em Curitiba; e a Softcenter, em Londrina, se uniram para criar o grupo, e ainda para fundar uma quarta empresa, a APR Tecnologia, cujo produto complementa as outras três e foi pensado para atender um nicho específico do mercado. “O nosso grande objetivo foi nos tornar mais competitivos. Nossas marcas já são consolidadas no mercado, mas, isoladas, nossa atuação não era representativa. Como Grupo APR demos um salto” explica Siro Canabarro, diretor-executivo da Tecinco e participante do grupo.
Segundo Canabarro, as quatro empresas do Grupo já realizam negociações em comum, possuem os mesmos fornecedores, mantêm suas equipes técnicas em contato e uma mesma padronização de documentos e contratos nas quatro empresas. “Nosso foco é o modal rodoviário, mas também atendemos empresas áreas. Temos algumas metas arrojadas para o grupo, a pequeno e médio prazo. Mas resolvemos, por enquanto, não mudar as nossas marcas, mas já estamos inserindo a logo do Grupo APR”, conta.
O empresário define a união das empresas no Grupo APR como ‘joint venture’, um empreendimento conjunto. “É uma tendência de mercado, as grandes empresas, como bancos e operadoras aéreas, estão se fundindo ou se associando para ganhar mais espaço no mercado. E nós resolvemos fazer isso para nos fortalecer. Não existe mais aquela ideia de que o mercado é estável. O mercado é volátil e quem não se mexer e inovar vai desaparecer”, acredita Siro Canabarro.
O coordenador estadual de TI do Sebrae/PR, Emerson Cechin, classifica a união das três empresas como uma aliança estratégica, ação que aparece como uma grande tendência do mercado de TI, seja para trabalhar com fusões ou aquisições. “Essa é uma grande oportunidade para as micro e pequenas empresas do setor, que pode ampliar seu mercado de atuação, clientes, e até reduzir os custos com o processo de produção conjunta. A aliança estratégica gera um impacto direto nos resultados das empresas, soma as competências de cada uma e otimiza a produtividade”, ressalta Cechin, informando que existem mais de 1,3 mil empresas do setor de TIC no estado.
Ele ressalta, que o Grupo APR é uma iniciativa pioneira de aliança estratégica dentro do grupo de empresas que o Sebrae/PR atua com o Projeto APL (Arranjo Produtivo Local). “As três organizações puderam fazer essa união de forma colaborativa, o que reduziu drasticamente os custos de produção de softwares. Eles resolveram lançar mão de forma definitiva dessa aliança porque concluíram que juntos eles poderiam evoluir e ter mais oportunidades de negócios e já podem comemorar como um grupo de TI consolidado no mercado”, observa Emerson Cechin.
Foi durante os encontros da Rede APL no Paraná que Siro Canabarro conheceu o empresário Carlos Casuya, de Londrina. “A gente percebeu que enfrentava os mesmos problemas e que podíamos buscar soluções em conjunto. Daí, conhecemos o Paulo Raymundi (de Curitiba) porque tínhamos um fornecedor em comum. Não é fácil fazer essa união, cada empresa tem sua cultura”, pondera Siro Canabarro.
“Nós nos encontrávamos também durante concorrências de licitação, quando um ‘incomodava’ o outro. Numa conversa, nós tivemos a ideia de juntos desenvolvermos um software dentro das novas regras para serviços de transportadoras estabelecidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. Foi uma experiência muito boa, a gente viu que trabalhar assim era um modelo viável e poderíamos realizar vendas em conjunto também. Com um porte maior, a possibilidade de vendas seria maior. Nossa união é consequência de estratégias e visão de negócio”, lembra Carlos Casuya, proprietário da Softcenter, em Londrina.
De acordo com Casuya, com a criação do Grupo APR houve um aumento de 25% a 30% da carteira de clientes que, hoje, possui 650 empresas. Só a APR Tecnologia conquistou 98 clientes em um ano em meio de atividade. “Sozinhas, somos microempresas. Juntas, aumentamos muito a nossa capacidade de trabalho e nos tornamos mais competitivas. A proposta é que, no futuro, exista uma única marca e um único software”, aposta. Aliás, hoje, dentro do Grupo APR só existe um único software que é comercializado pelas três marcas. “Também mantemos somente uma equipe de desenvolvimento, em vez de três, com isso reduzimos muito os nossos custos e ganhamos em escala comercial. Essa mudança é responsável pelo nosso crescimento”, reforça Paulo Cesar Raymundi, proprietário da Transdata, em Curitiba, e participante do Grupo.
“Deixamos de ser concorrentes para, juntos, ganharmos o mercado. Cada empresa tinha os seus talentos, então resolvemos somar essas experiências e know-how, como consequência, esse único software reúne todos pontos fortes dos três antigos produtos. Também ganhamos um poder maior de negociação com os fornecedores, se você é uma empresa maior, fica mais fácil barganhar preços. A tecnologia evolui muito rapidamente e requer conhecimento, por isso acredito que a união seja um ótimo caminho para crescer ainda mais no futuro”, avalia. Paulo Cesar Raymundi conta que, ainda neste ano, será inaugurada uma nova unidade do Grupo APR, em São Paulo, e já é estudada a possibilidade de abertura de outra unidade no estado de Mato Grosso.








