Com a alta da taxa de juros, poupança perde vantagem para outras aplicações
A elevação da taxa de juros para 9% ao ano traz alguns benefícios para quem investe em aplicações diferentes da caderneta de poupança. Com essa taxa de juros, a remuneração da poupança deve chegar a 6,17% ao ano mais Taxa Referencial (TR). Para quem tem aplicação até dez mil reais e pretende resgatar o dinheiro no curto prazo, a poupança ainda continua sendo vantajosa. Porém, quem tem um capital de investimento superior a isso, a caderneta perde força para outros tipos de aplicações como os fundos do Tesouro Nacional ou o CDB (Certificados de Depósitos Bancários), fundos estes que têm previsão de remuneração de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
De acordo com Cassio Prestes, diretor da Gavea Sul FIDC, antes de optar por qualquer tipo de investimento é preciso pesquisar bastante e ter cautela para não ingressar num fundo que não condiga com o perfil do investidor. “É preciso avaliar diversos fatores como qual o objetivo do investimento, para que será utilizado o dinheiro e avaliar os prazos mínimos de resgate, para garantir uma boa liquidez. Além disso, é necessário ficar atento às taxas de administração dos fundos. O ideal é que os valores sejam inferiores a 1% ao ano”, explica.
Na maioria dos investimentos ainda existe a incidência de Imposto de Renda. O diretor esclarece que há uma tabela regressiva – quanto maior o tempo de resgate, menor a alíquota cobrada sobre o rendimento. “Já a poupança é isenta de cobrança de imposto e permite fazer o resgate a qualquer momento. Por isso muitos brasileiros ainda preferem confiar suas economias na velha e garantida caderneta”, avalia.
Para aqueles que estão pensando em diversificar os investimentos, Prestes aconselha a não investir todo o capital em uma única aplicação. “Se a pessoa já tem uma boa reserva guardada na poupança, por exemplo, uma boa dica é retirar 40% do valor para investir em algum fundo de renda fixa, que proporcionará um ganho maior. O ideal é que o resgate seja feito com prazo mínimo de dois anos do investimento, para ter uma menor incidência de imposto”, lembra.
No caso de quem vai começar a guardar dinheiro para algum investimento, o indicado é aplicar um montante mensalmente na poupança e, depois que tiver uma boa reserva, optar por outro tipo de fundo com maior rentabilidade. “Se a pessoa consegue guardar entre R$ 500 a R$ 1 mil por mês, no final de 3 anos, ela terá mais de R$ 20 mil, um bom valor para começar um investimento. Ou, então, pode investir esse montante mensal em títulos públicos do Tesouro Direto, que irão proporcionar um rendimento mais atrativo”, indica o diretor.
Já no caso de investidores com potencial e com bom capital para investir, Prestes recomenda procurar fundos que tenham maior rentabilidade. “Uma opção é investir em fundos diferenciados como os FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios), por exemplo, que oferecem remuneração média de 135% do CDI, chegando a 11,7% ao ano. Para ser um investidor qualificado, a pessoa física ou jurídica tem que ter investimentos financeiros superiores a R$ 300 mil e aplicar uma cota mínima de R$ 25 mil, que vai depender de cada fundo”, explica.
A vantagem desse tipo de investimento, segundo o diretor, é que o FIDC não sofre intermediação de instituições financeiras e não cobra taxa de administração. “Isso garante uma redução de custos e simplificação de procedimentos. Esse tipo de fundo proporciona uma boa liquidez para quem investe por mais de dois anos”, acrescenta.


