62% dos brasileiros vão usar o 13 º para pagar dívidas
Dezembro vai ter mais pagamento de dívidas e menos compras de Natal. É o que revela pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) feita com 612 brasileiros de todas as classes sociais. A maioria dos brasileiros (62%) pretende usar o 13º salário para pagar dívidas, 1,64% a mais do que em 2012, segundo o levantamento. Apenas 14% pretendem usar o dinheiro para comprar presentes de Natal, 12,5% a menos que no ano passado (veja quadro). O rendimento extra vai ser pago no dia 30 e em 20 de dezembro.
Os números da Anefac mostram que os brasileiros estão com mais dificuldades financeiras e maiores preocupações com os gastos neste ano, devido à alta da inflação, à taxa de juros e à redução da atividade econômica. “Como os consumidores vão usar mais dinheiro para pagar as dívidas, sobra menos para os presentes”, diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac.
O executivo ressalta que foi um ano difícil na vida das pessoas, que estão mais preocupadas em poupar. O levantamento mostra também que 77% dos consumidores têm dívidas no cheque especial e no cartão de crédito, e pretendem usar os recursos do 13º salário para quitar o débito. Houve redução de 14,29% na quantidade de consumidores com dívidas atrasadas no comércio.
O diretor da Anefac dá algumas dicas para o consumidor usar o 13º. Segundo ele, é preciso dar preferência ao pagamento de dívidas, principalmente aquelas que embutem encargos maiores, como o cartão de crédito rotativo e o cheque especial, em que a média da taxa de juros atinge 9,37% ao mês (192,94% ao ano) e 7,83% ao mês (147,10% ao ano), respectivamente. Ele ressalta ainda que é preciso reservar valores para as compras de Natal e despesas de início de ano, como IPTU, IPVA, material escolar, para evitar entrar novamente entrar no vermelho no começo do próximo ano. Se sobrar algum valor, é importante aplicar em fundo de renda fixa ou caderneta de poupança.
Se for fazer algum financiamento, Oliveira recomenda que sejam pesquisadas as taxas de juros. “E é bom evitar comprometer muito o orçamento com dívidas”, lembra. Os empréstimos a longo prazo devem ser evitados, pois além de representarem custos maiores, comprometem a renda por período mais longo. É importante também evitar entrar no cheque especial e dívida no cartão de crédito. “O cheque especial não é renda. Por isso, deve ser usado por período curto e emergencial”, explica o executivo.


