PIB do Paraná cresce 2,8% no trimestre puxado pela indústria e serviços

A indústria paranaense contribuiu para o crescimento do PIB do Estado no primeiro trimestre.
A indústria paranaense contribuiu para o crescimento do PIB do Estado no primeiro trimestre.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná cresceu 2,8% no primeiro trimestre deste ano no comparativo com o mesmo período de 2013. No acumulado de 12 meses o crescimento foi de 3,7%. As duas taxas foram puxadas pela atividade da indústria e são maiores que a média do Brasil. Os números estaduais foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e revelam que o desempenho da economia do Paraná foi bem superior ao do País. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculou o PIB nacional em 1,9% para o trimestre e 2,5% para os últimos 12 meses.

As estimativas do Ipardes mostram que nos primeiros três meses de 2014, a indústria do Paraná cresceu 3,9% e o setor de serviços teve expansão de 3%, enquanto a agropecuária ficou com uma taxa de 1,9% em razão das perdas provocadas pelo forte calor e falta de chuvas no verão. “A estrutura econômica paranaense permaneceu, entre janeiro e março, preservando fortes marcas associadas à maturação da carteira de mais de R$ 30 bilhões em projetos de investimentos industriais privados atraídos pelo programa Paraná Competitivo”, explica o economista do Ipardes, Francisco José Gouveia de Castro.

“No caso do Paraná Competitivo, convém sublinhar que se trata do maior e mais diversificado portfólio do País, quanto ponderado pela amplitude econômica do Paraná, em confronto com inferência análoga feita para outros Estados”, completa o economista.

No quadro nacional, as performances mais destacadas neste início de ano foram da agricultura (4,8%), indústria (2,1%) e serviços (2,2%). Em relação à demanda, o destaque no País fica para os gastos da administração pública, com aumento de 3,4%. O consumo das famílias cresceu 2,2%, as exportações 2,8% e as importações 1,4%. Os investimentos caíram 2,1%, ficando em 17,7% do PIB, contra 18,2% do primeiro trimestre de 2013.

O economista Francisco José Gouveia de Castro avalia que, mesmo com a quebra de safra e a reprodução dos sintomas de crise identificados no País, o Paraná também mantém maior dinamismo econômico em razão do mercado de trabalho aquecido e das obras de infraestrutura, principalmente de transportes, do governo estadual.

Para Gouveia de Castro, a “modesta performance nacional decorreu do esgotamento da política macroeconômica adotada desde fins de 2008, com a introdução de ajustes em 2011, que prioriza a elevação do consumo (público e privado) doméstico, em detrimento da ampliação da oferta, particularmente dos investimentos em capacidade produtiva e infraestrutura”.

O economista diz ainda que as medidas adotadas pelo governo federal na política econômica provocaram “o reaparecimento de mazelas consideradas superadas, com a exponencial subida dos déficits externo e público e a aceleração dos reajustes de preços, mesmo com o represamento populista dos itens administrados (energia elétrica, combustíveis e transporte público)”.

Ele alerta que o Paraná não está isolado dos problemas pelos quais o País atravessa e que há sinais de desaceleração das atividades industriais e comerciais no Estado. “No entanto, ainda que em meio à multiplicação de adversidades no cenário brasileiro, ampliadas com a frustração da safra de verão regional, a economia do Estado apurou ganhos bastante expressivos”, afirmou.

Para o economista, o desempenho paranaense pode ser atribuído ao um “conjunto de mecanismos e instituições capazes de, ao mesmo tempo, produzir defesas em períodos cadentes da economia brasileira e assumir funções de autênticas molas propulsoras em estágios de reativação da rota do crescimento”.

Ele diz ainda que mesmo com as dificuldades a produção industrial do Estado, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, cresceu 3,3% no intervalo janeiro-março do ano. O índice nacional ficou em 0,4%. Nos serviços, a receita nominal subiu 9,2% no Paraná, diante de acréscimo de 8,7% no País.

O valor em dólares das exportações paranaenses saltou 7,7% em 2014, contra decréscimo de 2,5% para o total brasileiro. Os incrementos mais relevantes nas vendas externas do Estado foram verificadas para soja em grão (83,1%), automóveis (75,5%), couros (37%) e farelo de soja (22,5%).

No mercado de trabalho, o Paraná foi o quarto maior gerador de empregos com carteira assinada no território brasileiro entre janeiro e março de 2014, respondendo por 13,24% das vagas líquidas abertas no Brasil, segundo pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego. “É notória a interiorização dos fluxos de mão de obra no Estado, retratada na participação de 70% do interior no número de postos formais criados no primeiro trimestre de 2014”, informa Gouveia de Castro.

A produção agrícola estadual caiu declinou 10,5% em consequência da estiagem do início do ano. As principais culturas prejudicadas foram milho (-16,1%) e soja (-5,6%). “As perdas físicas foram parcialmente compensadas pelo efeito renda, com a reação das cotações das duas commodities no mercado externo”, disse Gouveia de Castro. No comércio, o faturamento real do varejo paranaense cresceu 1%, nos três primeiros meses do ano, contra 2,1% para o País.

As modificações aplicadas à Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), pelo IBGE, especificamente a revisão e atualização do painel de ramos, produtos e informantes, a partir de 2012, com base na Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2010, propiciaram a readequação dos resultados observados no PIB desde 2002.

Com isso, a variação do PIB do Paraná passa a ser de 4,6% em 2013, ante os 5% divulgados com base na metodologia anterior. No Brasil, a taxa de crescimento muda de 2,3%, pelos critérios antigos, para 2,5%, no novo padrão metodológico.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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