Grupo mexicano Femsa vê no Brasil um dos melhores mercados para se investir

Carlos Salazar, diretor-geral do Grupo Femsa
Carlos Salazar, diretor-geral do Grupo Femsa

Depois de dez dias nas cidades do México e de Monterrey, a convite do Grupo Femsa, que detém a maior franquia da Coca-Coca no mundo e no setor de cervejas é o segundo maior acionista da Heineken, com presença em mais de 70 países, trago boas notícias a respeito de novos investimentos do grupo mexicano no Brasil. Segundo o diretor-geral do grupo, Carlos Salazar, a Femsa vê no Brasil um dos melhores mercados para se investir atualmente e adiantou que o crescimento no Brasil se dará através da aquisição de novas empresas.  A cada cinco anos, o Grupo Femsa dobra o valor dos seus negócios, e no Brasil  os números não são diferentes.

No Brasil, o grupo está presente com a Coca-Cola Femsa Brasil, que emprega cerca de 20 mil funcionários e atende mais de 66 milhões de consumidores, distribuídos nos estados de São Paulo (regiões metropolitanas dos municípios de São Paulo e de Campinas, além da Baixada Santista), Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro e em parte do estado de Goiás. Ainda no País, o grupo mexicano reúne 39 centros de distribuição e nove fábricas, sendo a unidade de Jundiaí (SP) a maior no mundo em volume de produção no sistema Coca-Cola.

Há ainda uma décima unidade fabril em construção, em Itabirito, Minas Gerais, que será a primeira fábrica verde da Coca-Cola Femsa no mundo, com capacidade anual de produção de mais de dois bilhões de litros.  O investimento nesta unidade que quando pronta terá 65 mil metros quadrados de área construída é de US$ 258 milhões.  Outras fábricas estão localizadas em Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Mogi das Cruzes (SP), Porto Real (RJ), Marília (SP), Bauru (SP), Maringá (PR) e Curitiba (PR).

Para a atual estrutura de operações contribuiu o fato de que em 2013, a Coca-Cola Femsa Brasil ampliou o seu território de atuação ao comprar outras duas empresas do Sistema Coca-Cola Brasil: a Spaipa, que atuava em todo o estado do Paraná; e a Ciaflu, que atuava em parte do estado Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo. Com as aquisições, a empresa consolidou a sua posição como maior engarrafadora do Sistema Coca-Cola no Brasil, responsável por cerca de 40% do volume do refrigerante no País. Vale lembar que em março de 2007, a Coca-Cola Femsa Brasil adquiriu a centenária Matte Leão.

Na avaliação de Salazar, o Brasil é um trampolin para a empresa crescer na América Latina. E isso não se deve apenas aos 200 milhões de habitantes, mas sim pelo que representa em termos de mercado. Ou seja, os brasileiros são os segundos maiores consumidores mundiais de cerveja e estão entre os cinco primeiros do mundo em consumo de refrigerantes. Só no Brasil, a empresa conta com 66 milhões de consumidores fiéis a marca, que contam com um amplo portfólio composto por marcas de cerveja pilsen e
Premium, refrigerantes, chás, sucos, bebida láctea, energéticos, isotônicos e bebidas esportivas.

Fábrica de Toluca é a maior do México

Fábrica da Coca em TolucaDurante os dez dias de viagem pelo México, onde participei do Media Trip, que contou com a participação de 40 jornalistas de dez países (México, Costa Rica, Colômbia, Filipinas, Venezuela, Guatemala, Argentina, Nicaragua, Panamá e Brasil),  visitei a maior fábrica da Coca-Cola, no México, localizada em Toluca.  Com 3 mil metros quadrados de área construída, a  fábrica opera 24 horas por dia, sete dias da semana para atender a demanda. A indústria conta com 12 linhas de produção e emprega 647 pessoas.
A fábrica de Toluca, que foi inaugurada há 15 anos, produz 510 mil latas de refrigerantes por hora e  280 milhões de caixas de bebida por ano.  Todos os resíduos que produz são reciclados, tamanha é a preocupação com o meio ambiente.
A unidade recebeu várias certificações entre elas, o cero resíduos por parte da Coca-Cola de México, por ter 100% dos seus resíduos reciclados na própria indústria. Também teve certificação integral das certificações ISSO 9001, ISSO 14001 e OHSAS 18001.

Investimentos em logística

Alex Theissen: o Brasil  é hoje o segundo maior mercado para a empresa de logística do Grupo Femsa.
Alex Theissen: o Brasil é hoje o segundo maior mercado para a empresa de logística do Grupo Femsa.

O Brasil é o País que mais tem recebido investimentos da mexicana Femsa Logística, que opera em sete países da América Latina e nos Estados Unidos e conta com uma frota de 6.500 caminhões. Segundo informa o diretor  de Assistência Técnica e Abastecimento da Femsa, Alex Theissen, o Brasil  é hoje o segundo maior mercado para a empresa de logística do Grupo Femsa, apresentando crescimento superior, inclusive, ao do México. O objetivo é que os negócios dobrem aqui a cada cinco anos.

A estratégia de crescimento da empresa mexicana de logística no Brasil vem ocorrendo  através da aquisição de empresas. No ano passado, por exemplo, a Femsa Logística, dona das operações da Coca-Cola na América Latina, comprou a transportadora Expresso Jundiaí, e com isso ampliou a sua frota brasileira para 1.500 caminhões. Novas oportunidades de negócios estão sendo buscadas em nosso país, segundo me adiantou o diretor da empresa.

A Expresso Jundiaí  tem como um de seus principais  clientes o grupo paranaense Boticário.  A empresa atende diariamente cerca de 4 mil cidades brasileiras em 558 rotas de distribuição e transferência, com o transporte de cargas fracionadas. A companhia conta também com 140 mil metros quadrados de área em terminais e 50 mil metros quadrados de área construída. Já a Femsa Logística tem seu foco mais voltado no Brasil para o segmento de transporte primário, ou seja das bebidas fabricadas pela Coca-Cola.

Cadeias de pequeno formato são destaque no faturamento da Femsa Comércio

Oxxo-lojaEntre as empresas que compõem o grupo mexicano Femsa, presente em dez países, incluindo o Brasil, está a Femsa Comércio, que opera diferentes cadeias de pequeno formato. O destaque fica para a OXXO, que possui 11.721 lojas no México e na Colômbia, e é considerada a maior cadeia de lojas de conveniência da América Latina.  Só no ano passado, mais de 9 milhões de consumidores foram atendidos diariamente neste tipo de comércio.

Durante o midia trip da Femsa em que participei, pude visitar algumas lojas OXXO na cidade de Monterrey, que apresentam alguns diferenciais em relação às lojas de conveniência no Brasil. Um dos itens que me chamou atenção foi a forma de contratação dos funcionários. Por exemplo: a empresa contrata um chefe de família, que poderá optar por até cinco familiares para fazer parte do seu quadro de colaboradores. O chefe de família, que também é o gerente da loja, recebe uma remuneração maior. Já cada familiar e empregado ganha o equivalente a R$ 700 mensais.  No México, os salários são pagos a cada 15 dias pelas empresas aos seus colaboradores.

Atualmente, a rede OXXO  responde por um terço da receita do grupo Femsa.  A cada oito horas, uma nova loja é aberta. Embora o gerenteOXO - interna de Relações com Investidores da Coca-Cola Femsa, Karig Roland Kneubusch me dissesse que entrar no Brasil será um grande salto para a OXXO, os consumidores brasileiros ainda vão demorar algum tempo para poder fazer comprar neste tipo de comércio.

Cada loja OXXO comercializa em média 2.500 itens. Para suprir as demandas das lojas, a Femsa conta com 16 centros de distribuição no México. Cada centro de distribuição tem 21 mil metros quadrados e processa 35 mil pedidos mensais.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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