Pequenas empresas do vestuário podem crescer e ter mais lucratividade

Buscar uma identidade para sua marca, especializando-se em nichos específicos de mercado: essa foi uma das dicas dadas por Marcelo Villin Prado, economista especialista em Estratégias de Mercado e sócio-diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), às indústrias do setor do vestuário paranaense para aumentarem sua lucratividade. O especialista ministrou nesta terça-feira (23), no Campus da Indústria, a palestra “Mercado, Desafios e Oportunidades para as Empresas do Vestuário”. Mais de 100 empresários participaram presencialmente ou via videoconferência do evento, que foi promovido pelo Conselho Setorial da Indústria do Vestuário da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Outras recomendações dadas pelo economista às pequenas e micro empresas foram investimento em novas tecnologias, de criação, encaixe, corte e costura, imprimindo velocidade ao negócio, e a diminuição da distância do consumidor final, através de novos canais de venda e novas formas de comercialização, tanto no atacado, quanto no varejo. A palestra de Prado também abordou questões de oferta e demanda, evolução dos canais de venda e comportamento do consumidor, além de dados de produção e comércio exterior.
Os dados apresentados são fruto de um estudo de competitividade do setor no Estado, encomendado pelo Conselho do Vestuário ao Iemi, em 2013. A pesquisa levou 4 meses até ser concluída e trabalhou com uma amostragem de mais de 360 empresas – de micro, pequeno, médio e grande portes – de um universo de cerca de 2.500 indústrias.
Segundo o estudo, a produção nacional atingiu no último ano 6,2 bilhões de peças, uma alta de 0,8% em relação a 2012. Somadas às importações que correspondem a 12,1% do total, o consumo mercado interno chegou a 7 bilhões de peças em 2013. Para 2014, a expectativa é um recuo de 0,2% em volume de produção, mas um crescimento de 2,5% em valores nominais, além de um aumento de 8,4% nas importações e queda de 3,6% nas exportações. Porém, o cenário para os próximos cinco anos é positivo: espera-se um crescimento de 1,5% ao ano para o mercado da moda nacional.
Luciana Bechara, coordenadora do Conselho Setorial, avalia que o evento é uma forma de mostrar à indústria como funciona o mundo do varejo. “O empresário passa muito tempo em sua indústria, focado em seu negócio, e muitas vezes não consegue acompanhar as mudanças do mercado”, conta. “Nosso maior objetivo é mostrar aos pequenos empresários que existe um caminho, uma forma de ampliar seu negócio, crescer e ter maior lucratividade”, completa.
Segundo Luciana, o setor paranaense ainda tem muito para crescer. “Precisamos desenvolver principalmente o posicionamento das nossas marcas, que ainda não são lembradas. Temos milhares de indústrias, mas ainda somos apenas produtores. Vendemos muito barato, e outros intermediários é que acabam agregando valor ao nosso produto”, finaliza.


