Aumento do combustível é mais um dos entraves para o transporte de carga

O transportador vem trabalhando no limite há muito tempo.
O transportador vem trabalhando no limite há muito tempo.

O segmento de transportes de carga é historicamente penalizado pela inadequada condição da infraestrutura brasileira que, além de elevar o custo operacional do serviço, prejudica a produtividade das empresas e diminui a competitividade da produção nacional. Agora, mais um empecilho trava o desenvolvimento do setor: o reajuste no combustível -principal insumo utilizado pelas transportadoras.

O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), diretor de agropecuária da Cooperativa Central Aurora Alimentos e empresário do ramo, Marcos Antonio Zordan, ressalta que o transportador vem trabalhando no limite há muito tempo. “Já sofremos com a falta de incentivo para financiamento e as más condições das rodovias. Agora se somam a essas dificuldades o aumento do diesel. É preciso puxar muito frete para compensar e, mesmo assim, muitos não conseguem dar a volta”, enfatiza.

Aliado a esses fatores, Zordan destaca ainda, a Lei do Motorista que impõe limite de horas na jornada diária, o que implica na conservação e na segurança da carga transportada. “Essa lei também dá carta branca aos ladrões porque o caminhão não pode rodar mais que o tempo estabelecido e, muitas vezes, precisa parar em locais perigosos.

O transporte é essencial em todos os segmentos, mas no agronegócio os impactos de um dia parado vão além, complicando a vida do produtor e da indústria. “Não temos como sobreviver. A falta deste serviço influencia diretamente no desempenho de toda uma cadeia produtiva que precisa ser transportada em cada etapa do processo. Os produtos não podem ficar armazenados, pois não têm vida útil suficiente para isso”, argumenta o presidente da Ocesc.

Zordan também realça a importância da especialização no transporte de carga para acompanhar a evolução do mercado. “O setor precisa se especializar cada vez mais, afinal cada tipo de produto, necessita de estrutura diferenciada. Essa especialização custa caro e os gastos com manutenção vêm aumentando pela necessidade de consertos frequentes em razão de rodovias defasadas e danificadas. Quem paga tudo isso no final é o consumidor”.

Há algumas décadas, o transporte era feito de forma diferente, mas as margens de lucratividade eram grandes. Agora, com caminhão moderno, o custo é mais alto, os insumos são bem mais caros e as estradas são péssimas. “Quem freta não quer saber disso, no entanto, possuir transporte próprio também é inviável”.

Uma alternativa, segundo o presidente da Ocesc, é a parceria entre empresa que contrata o serviço e a transportadora. “As empresas devem entender que para ter qualidade é necessário repassar o valor do frete. Portanto, a profissionalização do transportador com modernização da frota, motorista capacitado adequadamente e planilha aberta com exposição dos custos são alternativas importantes”.

Zordan observa ainda que o diesel é barato em qualquer lugar do mundo e lembra que no Brasil o valor é cerca de 50% acima do cobrado no mercado internacional. “Os órgãos públicos devem entender a importância de dar condições a quem utiliza esse insumo para manter seu negócio. Se não houver conscientização do Governo para redução de custos, facilitando a logística e revitalizando as estradas, muitos não sobreviverão”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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