Fretes apresentam defasagem de 14%

FreteEm meio a uma crise do setor de transportes de carga, a categoria afirma que a maior parte das empresas opera no vermelho. Estudo elaborado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), entidade representante de mais de 3 mil empresas em todo o país, indica uma diferença de 14,11% entre os fretes praticados e o custo efetivo das transportadoras. O déficit, agravado pelo aumento do preço do óleo diesel no início do mês, é mais crítico entre os motoristas autônomos e empresas de pequeno porte.

A pesquisa é feita com base no cruzamento de dados da planilha de custo com o valor do frete recebido por 250 empresas. O resultado mostra um buraco na operação do setor. E pior: desconhecido pela maior parcela. Segundo o assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdívia, ao calcular o custo operacional muitas empresas simplesmente esquecem de colocar no papel alguns gastos, como a defasagem do veículo, o desgaste do pneu e outras variáveis desse tipo. “Quando se vai a fundo, vê-se que o custo é muito maior e há certo desconhecimento do setor”, afirma. Por outro lado, dado o despreparo da categoria, o embarcador consegue impor o valor a ser pago pelo frete, sem muita discussão.

O impacto mais considerável no custo do transporte é a alta dos combustíveis. Em um período de quatro, o governo federal reajustou o óleo diesel duas vezes. Em novembro, a alta foi de 5% nas refinarias para equiparar o valor do combustível ao praticado no mercado internacional. No dia 1º, com o retorno da cobrança do PIS e Cofins, o litro do óleo diesel teve alta de R$ 0,15 (6%) nas refinarias. “Entretanto, ao se acrescentar os demais impostos incidentes, como ICMS, margem do posto, o aumento pode chegar a R$ 0,22”, diz trecho do informe técnico do Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado.

Pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), indica aumento de 7,23% no combustível no comparativo entre período antes e depois do aumento das alíquotas do PIS e Cofins, acima da variação imposta nas refinarias. Ao invés de subir R$ 0,15, o produto teve alta, em média, de R$ 0,19 nas revendas do país. “Embora parte do mercado tenha se mostrado sensível às necessidades de recomposição dos fretes, isso não tem efetividade na prática. Prova disso são as dificuldades que as empresas de transporte estão enfrentando para vislumbrar a recuperação de suas margens”, afirma o coordenador do Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos da NTC&Logística, Neuto Gonçalves dos Reis.

Apesar do peso do combustível e da mão de obra na composição do custo operacional, ambos juntos somam entre 50% e 60% do valor final, outros fatores contribuem para agravar o problema das transportadoras. Um deles é a restrição de operação em centros urbanos. Em Belo Horizonte, por exemplo, caminhões são vetados em importantes vias. Um proprietário de uma grande empresa do setor, que pede para não ter o nome revelado por considerar a situação de sua empresa confortável em relação ao setor, afirma que o empate nas contas operacionais é um “resultado satisfatório” para as transportadoras.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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