Empresa familiar nos EUA e no Brasil: quais as diferenças?

Muitos já ouviram falar que nos Estados Unidos as coisas são diferentes, mais rápidas ou até mesmo, melhores, mas e se o caso for na administração das empresas? Muitos filmes de Hollywood têm como pano de fundo uma empresa familiar. Basta puxar na memória para lembrar de filmes em que os filhos brigam pelo controle da empresa do pai, por exemplo, ou alguma comédia em que o herdeiro vem de longe para assumir um cargo em algum conselho – mesmo sem saber nada sobre os negócios da família.
Tem muito de fantasia, claro, já que nos Estados Unidos as coisas não são bem assim. Há um preparo de herdeiros desde cedo, obedecendo um plano de governança corporativa pré-estabelecido e sem atropelos. Eduardo Valério , diretor-presidente da JValério , associada à Fundação Dom Cabral, explica como é a cultura da empresa familiar na terrinha do Tio Sam.
Segundo Eduardo Valério, a diferença na gestão de uma empresa familiar do Brasil e dos Estados Unidos acontece na base: a cultura empresarial, que é bem mais forte lá fora. “Há vários aspectos a considerar. Nos EUA há uma maior tradição no mercado de capitais, há mais empresas de capital aberto. No Brasil, ainda estamos iniciando este processo”.
Valério explica que as empresas familiares brasileiras estão passando pelo início do processo de governança da segunda geração, que é a que inicia o processo de preparação, enquanto que nos Estados Unidos em média, há mais empresas com processos iniciados – muitas delas, aliás, já na terceira ou quarta geração.
Dentre todas as ações de governança que as empresas norte-americanas mais prezam nas suas gestões, Eduardo Valério destaca que o processo sucessório é o principal objeto da preocupação dos seus controladores. A sucessão é algo comum nas empresas dos EUA, tanto que é bem retratada em filmes.
Mas será há alguma diferença na preparação dos herdeiros norte-americanos com o que acontece em nosso país? Para Valério, tudo acontece de forma muito parecida com as empresas brasileiras que é a preparação de longo prazo para os prováveis sucessores. A diferença é que, nos EUA, há maior resistência para sucessores externos à família do que nas empresas brasileiras, explica.
Outro aspecto importante no processo de sucessão apontado por Valério é o acesso aos programas de preparação nos EUA. “Há uma maior disponibilidade pela realidade deles e pela história de sucessão. No Brasil, apenas algumas instituições o fazem, como é o caso da
Fundação Dom Cabral, precursora neste tema”, conclui.
Confira alguns filmes que lidam com a sucessão familiar:
À Procura da Felicidade (2007) – The Purpsuit of Happines – Não trata diretamente sobre sucessão, mas vale citar nesta lista. O filme mostra um pai divorciado e desempregado com problemas financeiros que precisa cuidar de seu filho de apenas cinco anos. O personagem interpretado por Will Smith consegue reverter a situação em que se encontra sua vida pessoal, mesmo passando fome e desabrigo. Mesmo que o foco do filme seja persistência, ele mostra o suposto herdeiro (com cinco anos) vivenciando e aprendendo toda a situação de vida do seu pai na prática – conhecendo o negócio na prática.
Ford, o Homem e a Máquina (1987) – Ford: The Man and the Machine – O filme conta toda a trajetória empreendedora do fundador da empresa, Henry Ford. Dentre todos os aspectos da trajetória de Ford mostrados, o filme foca na sucessão do seu filho – que
se inicializou em uma manobra estratégica para reduzir as ações e recuperar os 100% do controle da corporação.
O Poderoso Chefão 2 (1974) The Godfather, Part Two – Deixando de lado a parte dos crimes, o filme é um clássico. Na história, Don Vito Corleone não deixa como sucessor o filho primogênito e Michael Corleone não assume a sua posição de líder sem um profundo senso de reverência pela honra de seu pai. O sucessor encara como dever a conclusão do legado de Don Vito Corleone. A necessidade permanente de um sucessor para terminar este legado e construir um novo acima dele é o fio condutor da história e mostra o quão importante a sucessão familiar é encarada em terras norte-americanas – mesmo em negócios ilícitos.
Rei Leão (1994) The Lion King – No filme, considerado por muitos infantil e por outros uma lição de vida, a questão da transferência de poder, ambição e preparação é bem clara. Enquanto o Rei tenta mostrar ao seu filho, Simba, os deveres que ele terá como administrador do reino, o seu irmão, tio de Simba, usa de falta de escrúpulos e da manipulação para chegar ao reinado.








