Preço da cesta básica aumenta em 17 cidades

Do total de 18 cidades onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos, 17 tiveram aumento de preço no conjunto de bens alimentícios, em abril. As maiores elevações foram apuradas em Campo Grande (6,05%), Rio de Janeiro (4,51%), Natal (3,98%) e João Pessoa (3,98%). O único decréscimo foi registrado em Manaus (-1,73%). Em Curitiba, a cesta básica subiu 2,77% no mês passado, apresentando um custo de R$ 359,39. Em abril, o maior custo da cesta foi apurado em São Paulo (R$ 387,05), seguido de Vitória (R$ 376,46) e Rio de Janeiro (R$ 374,85). As cestas com menores valores médios foram observadas em Aracaju (R$ 281,61), João Pessoa (R$ 299,90) e Natal (R$ 300,73).
Com base no total apurado para a cesta mais cara, a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele, com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em abril de 2015, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.251,61, 4,13 vezes mais do que o mínimo de R$ 788,00. Em março de 2015, o mínimo necessário era ligeiramente menor e correspondeu a R$ 3.186,92, o que equivalia a 4,04 vezes o piso vigente. Em abril de 2014, o valor necessário para atender às despesas de uma família chegava a R$ 3.019,07 ou 4,17 vezes o salário mínimo então em vigor (R$ 724,00).
Em 12 meses, entre maio de 2014 e abril último, as 18 cidades acumularam alta no preço da cesta. Destacam-se as elevações registradas em Aracaju (18,30%), Salvador (14,60%), Goiânia (11,74%) e João Pessoa (11,01%). Os menores aumentos aconteceram em Belo Horizonte (1,71%) e Porto Alegre (2,67%). Nos quatro primeiros meses de 2015, todas as capitais acumularam altas, que variaram entre 3,30%, em Manaus, e 17,41%, em Salvador.
1 Fontes de consulta: Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – ESALQ/USP, Unifeijão, Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, Embrapa, Agrolink, Globo Rural, artigos diversos em jornais e revistas.
Em abril, produtos como tomate, pão francês, carne bovina, óleo de soja e leite tiveram predominância de alta nos preços das capitais. Já a batata, pesquisada nas regiões Centro-Sul, apresentou retração de valor na maioria das capitais.
O preço do tomate aumentou em 17 cidades, com taxas que oscilaram entre 2,05%, em Aracaju, e 45,98%, em Campo Grande. Manaus foi a única cidade onde houve retração (-4,67%). Em 12 meses, 16 cidades apresentaram alta nos preços, com destaque para Vitória (51,71%), Rio de Janeiro (48,33%) e Salvador (44,83%). Apenas Florianópolis (-9,91%) e Porto Alegre (-14,19%) apresentaram reduções. A crise hídrica do início do ano prejudicou a colheita do tomate. Além disso, há possibilidade de não irrigação suficiente das lavouras de inverno, por conta do volume dos reservatórios. Estes fatores podem explicar o movimento altista do produto.
Houve elevação do preço do pão francês em 16 capitais, estabilidade no Rio de Janeiro e redução em Goiânia (-0,82%). Os aumentos oscilaram entre 0,28%, em Natal, e 8,75%, em Aracaju. Em 12 meses, todas as cidades mostraram alta, exceto Natal (-1,25%). As maiores taxas foram registradas em Aracaju (32,82%), Campo Grande (10,30%), Recife (9,58%) e Fortaleza (9,15%). A desvalorização do real diante do dólar fez com que a importação de trigo ficasse mais 4
cara, elevando o preço da farinha, insumo do pão francês. Também o aumento da energia elétrica teve impacto nos custos de produção do bem.
A carne bovina mostrou alta em 16 cidades em abril. Apenas as capitais do Norte – Belém (-1,35%) e Manaus (-0,20%) – mostraram recuo. As elevações oscilaram entre 0,05%, em Brasília, e 4,64%, em Natal. Em 12 meses, todas as cidades tiveram aumento, com taxas entre 9,66%, em Belo Horizonte, e 32,55%, em Aracaju. Exportação elevada e baixa oferta de animais para abate, devido aos altos custos de reposição, afetaram a oferta da carne no varejo, o que explica a elevação do preço ao consumidor.
O óleo de soja ficou mais caro em 16 cidades. O preço do bem recuou apenas em Florianópolis (-1,56%) e Porto Alegre (-0,29%). As maiores altas foram observadas em Manaus (11,41%), Aracaju (11,07%), Rio de Janeiro (6,12%) e Fortaleza (5,70%). Em 12 meses, 11 cidades registraram queda, com destaque para Natal (-10,05%), Recife (-8,62%) e Florianópolis (-5,96%). Em Vitória e Belo Horizonte, o preço não sofreu alteração. Cinco localidades mostraram aumentos: Aracaju (14,43%), Manaus (9,76%), Rio de Janeiro (2,54%), Salvador (2,47%) e São Paulo (0,34%). Maior demanda da soja e a expectativa de quebra de safra elevaram o preço do grão e, consequentemente, do óleo.
Em abril, o preço do leite aumentou pelo segundo mês consecutivo na maioria das cidades. Apenas quatro cidades mostraram redução: Brasília, -6,10%; Florianópolis, -4,48%; Manaus, -1,64% e João Pessoa, -0,68%. As altas variaram entre 0,36%, em Fortaleza, e 7,37%, em Belém. Em 12 meses, o preço do produto acumulou alta em nove cidades, que oscilaram entre 0,36%, em Campo Grande, e 5,65%, em Recife. Em João Pessoa, não houve variação no ano. As retrações mais expressivas foram registradas em Salvador (-10,54%) e Natal (-7,81%). Início da entressafra e queda na captação elevaram o preço do leite.
A batata teve o preço reduzido em nove das 10 cidades do Centro-Sul, onde o item é pesquisado. As taxas oscilaram entre -24,43%, em Belo Horizonte, e -5,90%, em Vitória. Houve elevação apenas em Florianópolis (7,27%). Nos últimos 12 meses, todas as cidades tiveram retração, com destaque para as taxas de Belo Horizonte (-44,81%) e Vitória (-31,49%). A batata plantada na safra das águas vem abastecendo o mercado interno.








