Cinco dos dez vencedores do Prêmio de Inovação na Indústria são microempresas

Das dez empresas vencedoras do Prêmio Nacional de Inovação 2015, instituído pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cinco são pequenos negócios. A premiação, entregue na noite desta quarta-feira (13), em São Paulo, foi um dos pontos altos do 6º Congresso Nacional de Inovação na Indústria. Durante a entrega dos prêmios, a diretora-técnica do Sebrae, Heloísa Menezes, destacou a importância do crescimento do número de Pequenos Negócios no prêmio. Heloísa lembrou que o Sebrae participa há três anos da premiação e que, nesse período, a participação das micro e pequenas empresas cresceu quase cinco vezes.

Do total, 90% das empresas que estão participando dessa edição do prêmio são de pequeno porte. Na primeira edição, tivemos pouco mais de 400 inscrições. Nessa, ultrapassamos a marca de 2,2 mil empresas”, destacou. Acreditamos que reconhecer e premiar os melhores projetos de inovação e de gestão é um grande incentivo para os empresários desenvolverem projetos”, acrescentou a diretora. Ela enfatizou que o prêmio é uma oportunidade para reconhecer empresas atendidas pelo programa Agentes Locais de Inovação (ALI), bem como seus agentes e coordenadores. Das dez empresas vencedoras, cinco são pequenos negócios.

Heloísa Menezes lembrou ainda que o programa ALI já existe há cinco anos, com 1,2 mil agentes atuando junto às empresas. No ano passado, os ALI acompanharam 50 mil empresas e a meta é superar esse número em 2015.

Em seu discurso, Heloisa Menezes disse ainda que o desafio da inovação não está restrito apenas às grandes empresas e não implica, necessariamente, em muito investimento. Ela sustentou que o Sebrae tem atuado para ajudar os pequenos negócios a encontrar soluções para, por exemplo, redução de gastos com energia, água e para induzir a visão sobre novos modelos de negócios. “O segredo para combater a crise é inovar. A capacitação e informação são a chave do sucesso”, disse ela.

O Prêmio Nacional de Inovação é uma iniciativa da Mobilização Empresarial da Inovação (MEI) e é realizado pelo Sebrae e pela CNI, com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT).

Confira as microempresas  ganhadoras do prêmio:

Central das Impressoras

A troca de um emprego seguro como contador de uma empresa pelo sonho de ter o próprio negócio foi bancada por Thiago da Silva Pereira. Ele decidiu fundar a Central das Impressoras em agosto de 2007, em Maceió (AL). Usou como atrativo a oferta de um atendimento personalizado a cada cliente. O acompanhamento das necessidades, a proposta de soluções e pesquisas constantes de satisfação fizeram com que a empresa passasse a ser reconhecida pela qualidade.

Dois anos depois, no final de 2009, ele procurou o Sebrae e ingressou no programa Agente Local de Inovação (ALI), além de parceiros como a Fundação Nacional de Qualidade. Já com 15 empregados, ele queria investir em um sistema de gestão mais eficiente, com padrão de excelência. O negócio dele passou por um diagnóstico apurado e ele incorporou conceitos como liderança, informação, conhecimento compartilhado com os funcionários e adoção de modelo competitivo.

O empresário diz que a diferença veio da adoção de uma série de mudanças simples Como exemplo cita o controle do processo e tempo de execução de serviços. “A recarga de um toner que levava 40 minutos caiu pela metade. Descobri que tinha muita gente fazendo a mesma coisa”, brinca o empresário. O resultado desse conjunto de mudanças impactou o faturamento de 2011 em 60%. Todo esse processo de mudança pode ser contabilizado diz o empresário: oitenta clientes em 2009, 180 no ano seguinte e 290 em 2014. “Foi uma mudança de mentalidade. Essa capacitação no Sebrae mudou meu negócio da água para o vinho. Agora, otimização e colaboração são valores que guiam a minha empresa.”, afirma.

Jera

Um ano depois de sua fundação, em 1981, a Jera, de Campo Grande (MS), já tinha mudado de porte: de micro para pequena empresa. O empresário Saulo Arruda diz que o negócio começou com a produção de games, mas logo ele percebeu um nicho promissor: aplicativos para tablets e celulares.

Outro diferencial da Jera, ressalta Saulo, que comanda uma equipe de 27 empregados, é que a empresa também desenvolve soluções para pessoas físicas que querem testar o potencial de um negócio. Pelo sistema tradicional, o empreendedor tem que gastar entre R$ 20 e R$ 60 mil para desenvolver o sistema e leva quase um ano para colocar no mercado. “O que oferecemos pela Jera é mais do que isso. Quem está iniciando um negócio tem também nosso apoio na fase inicial com um suporte mais integral que inclui posicionamento no mercado, estratégias para monetização do produto. É um tipo de retaguarda que só as grandes empresas possuem”, reforça.

Nessa trajetória, a Jera reconhece a importância do Agente Local de Inovação. Em 2013, a empresa procurou o Sebrae e, por esse programa da instituição, teve acesso a uma análise profunda do seu negócio. Ele cita cursos, palestras motivacionais e até ajuda para registro de marca. “Hoje, temos clareza que temos foco tanto no produto, quanto no cliente. Adotamos um novo modelo de gestão Já estamos no segundo ciclo desse programa e posso adiantar que nosso faturamento dobrou”, diz o empresário.

Hi Technologies

A Hi Technologies teve início na Incubadora Tecnológica de Curitiba (PR) em novembro de 2004 e foi graduada no começo deste ano. Nesse meio tempo, conseguiu abrir espaço em um mercado altamente competitivo como o da área médica. O negócio começou como desenvolvimento de softwares e, a partir de 2009, passou a fabricar equipamentos.
O primeiro modelo de sucesso foi o oxímetro de pulso, que mede a quantidade de oxigênio no sangue e a frequência cardíaca começou em 2015. O projeto surgiu depois que a empresa venceu o edital Sebrae/Fenep (Financiadora de Estudos e Projetos). Tinha como novidade a conectividade do aparelho, que permitia leitura dos dados a distância por wi-fi e bluetooth. “Os recursos desse edital foram fundamentais para que pudéssemos colocar nossa ideia em prática”, enfatiza um dos sócios Marcus Vinicius Mazega Figueiredo.

A empresa também se destaca por desenvolver sistemas de monitoramento a distância, que podem ser acoplados tanto a leitos hospitalares como domiciliares, que dão ao médico acesso aos dados do paciente. “Trabalhamos sempre pensando em pequenas revoluções ergonômicas, resistentes, telas de touch screen e gráficos com dados acessíveis não só aos médicos, mas também aos enfermeiros e técnicos de enfermagem”, enfatiza o também sócio Carlos Eduardo Chaves.

Paiva Piovesan Softwares

O modelo de negócio da Paiva Piovesan Softwares, empresa mineira de Belo Horizonte, é o desenvolvimento desoftwares de gestão de negócios e finanças. Um dos produtos mais importantes é o Finance, modelo de gerenciamento que, segundo a sócia Débora Prota, pode ser equiparado aos melhores do mundo.

Permitir acesso às informações da empresa pelo celular é a novidade do mais novo aplicativo. Débora Prota enfatiza que cada vez mais trabalha para disponibilizar no celular o máximo de informações possíveis sobre a empresa. Uma das soluções ajuda a controlar o consumo de água e energia, informações que ela considera vital para a sobrevivência de uma empresa, sobretudo, no atual período de escassez de recursos. “Nossa empresa está sempre voltada para as possibilidades de inovação, de forma a se destacar no mercado. Participar desse prêmio representa ainda uma oportunidade de reflexão sobre o caminho que a empresa está escolhendo”, avalia.

Tecsistel

O engenheiro Fabiano Linck trabalhava em uma empresa de automação industrial. Em 1997, fundou o Tecsistel, com o objetivo de fornecer equipamentos de controle de cargas com uma placa eletrônica e um sensor de peso, o que aumenta a segurança e precisão. Em 2008, a empresa criou um diferencial importante com o desenvolvimento da chamada Máquina Universal de Ensaio, que permite testes de qualidade e resistência de diversos materiais como plástico, sintéticos, calçados, cordas de aço e borracha. Também entrou no mercado com um custo 30% menor do que os modelos similares e tem uma interface mais amigável com o usuário.

Consciente do potencial dessa inovação, a Tecsistel procurou o Sebrae no final de 2013 e passou a ser atendida pelo programa Agentes Locais de Inovação (ALI). A empresa está investindo em novas linhas para produzir máquinas maiores para atender outros mercados como o automobilístico, naval e construção civil. Para chegar a esse resultado, no entanto, é preciso repensar todos os processos da empresa, incluindo os de gestão.

Todo esse esforço é para que a Tecsistel conquiste a ISO 9001. É só com essa certificação de qualidade que a empresa vai conseguir atuar em outras áreas. Segundo Linck, a estimativa é triplicar o faturamento em cerca de quatro anos. “Com esse programa do Sebrae, ganhamos muito. Não tínhamos ideia clara do que fazer e a quem procurar. O ALI nos orientou de uma forma clara, o que abreviou a nossa trajetória”, atesta Fabiano Linck.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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