Aumento do custo de vida volta a acelerar e pressiona orçamento das famílias mais pobres
Pelo segundo mês consecutivo o Custo de Vida por Classe Social para a região metropolitana de São Paulo registrou aceleração e subiu 1,18%, ante alta de 0,90% observada em setembro. De janeiro a outubro, o aumento já chegou a 9,57% e, nos últimos 12 meses, a alta foi de 10,77%. A pesquisa é realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Dos nove segmentos analisados, Transporte exerceu a principal contribuição para o resultado final. Responsável por aproximadamente 21% do orçamento familiar, o item registrou aumento de 2,92% no mês. Já no acumulado do ano, a alta foi de 8,4%, e de 10,5% em doze meses.
A segunda maior variação mensal foi detectada no segmento de Alimentação e bebidas, com alta de 1,21%. Na comparação com o mesmo período de 2014, o grupo, responsável por 22,4% do orçamento das famílias, apresentou aumento de 11,06%. Já Habitação registrou acréscimo de 0,78% dos preços em outubro, enquanto em 12 meses a variação foi de 19,85%.
Outras atividades também impactaram na alta do indicador ao longo do ano: Artigos do lar (4,27%); Vestuário (2,51%); Saúde (7,74%); Despesas pessoais (10,08%); e Educação (9,71%). Por outro lado, apenas o grupo de Comunicação apresentou variação negativa (-0,23%) no período.
As classes de menor renda (D e E) foram as que mais sentiram a alta dos preços em outubro, com aumentos de 1,33% e 1,41% do custo de vida, respectivamente. Já na classe C, a variação foi de 1,27%. O impacto foi menor para as classes A (0,84%) e B (1,01%).
Para a assessoria econômica da FecomercioSP, as altas mais contundentes se concentram em bens essenciais e de alta representatividade no orçamento familiar, e isso tende a afetar de forma mais severa as famílias com rendimento menor.
Além disso, o aumento de tarifas como água e combustíveis oneram ainda mais os custos de produção e não há indícios de curto prazo para que essa situação se reverta. Assim, a inflação não dá sinal de trégua e tende a continuar comprometendo o poder de compra das famílias.
IPV
O Índice de Preços no Varejo (IPV) registrou alta de 1,66% em outubro, sendo a décima quarta alta consecutiva e a maior desde abril de 2011, quando o indicador subiu 1,82%. Nos últimos 12 meses, a alta do IPV alcançou 8,6%.
Das oito atividades que compõem o IPV, destaque para Transportes, que apresentou alta de 4,01% em outubro, puxada pelos aumentos nos preços do Etanol (14,99%), da Gasolina (6,21%), do Óleo diesel (3,67%) e do Gás veicular (1,72%).
Já o grupo de Alimentação e bebidas seguiu trajetória de alta e assinalou 1,24% no mês. Nos últimos 12 meses, houve aumento de 10,82%. Os produtos que mais se elevaram foram: salmão (7,84%), merluza (7,5%), uva (5,53%), mamão (5,25%), abacaxi (4,99%) e banana-prata (4,66%).
O Índice de Preços de Serviços (IPS) apresentou alta de 0,67% em relação a setembro, o que significa desaceleração em relação ao mês anterior, quando foi registrada alta de 1,28%. Nos últimos 12 meses, o indicador alcançou 13,10%.
O grupo de Alimentação e bebidas registrou acréscimo de 1,17% em outubro, puxado pelo aumento dos preços de refeições (0,82%), café da manhã (3,3%) e doces (1,32%).
Já o segmento de Transportes também registrou forte alta dos preços dos serviços em outubro, com aumento de 1% no mês influenciado pelo acréscimo de 9,28% do preço das Passagens aéreas.
Segundo a Entidade, os preços do varejo e de serviços na região metropolitana de São Paulo seguem trajetória de alta, com disseminação e persistência, situação característica de um processo inflacionário. Além disto, a alta não é explicada pelas pressões na demanda (que segue desaquecida), mas principalmente pelo aumento dos custos na cadeia produtiva.








