Números incorretos ou maquiados trazem consequências desastrosas á s redes de franquias

Você inicia o processo de seleção para ser franqueado de uma marca e os números apresentados pela equipe da franqueadora são altamente positivos: o faturamento da rede é superior ao que você imaginava; o retorno do investimento é também mais rápido do que o estimado e os balancetes anuais da empresa mostram que a crise não chegou ao setor tão desejado por você. Para não perder a oportunidade de fazer parte da rede, você esconde ‘só um pouco’ suas reais condições financeiras, afinal, com tudo o que foi apresentado o negócio não precisará de capital de giro para ser um sucesso…
 
A advogada especializada em relacionamento de redes, Melitha Novoa Prado (foto), alerta para as omissões e erros cometidos por franqueadores e potenciais franqueados durante o processo de seleção que causam a inviabilidade do negócio num futuro muito próximo. Baseada em sua experiência de mais de 20 anos lidando com franquias, Melitha afirma que os principais problemas entre franqueadores e franqueados, e que podem até mesmo levá-los á  Justiça, estão relacionados com a falta de transparência no processo de seleção, principalmente em relação aos números apresentados pela franqueadora e á  situação financeira do franqueado.

A advogada aponta algumas questões importantes, como por exemplo:
O franqueador deve revelar números reais – O valor total do investimento precisa ser claro e bem próximo á  realidade. O franqueador não deve, em nenhuma hipótese, citar valores abaixo dos verdadeiros, já que aportar mais capital pode fazer com que o franqueado use o capital de giro na instalação da loja e fique sem condições de operá-la. Pode virar uma bola-de-neve caso o franqueado pegue empréstimos para cobrir despesas não calculadas: ele se endivida e depois não tem fôlego para conduzir a franquia adiante”, diz. Outro problema grave é quando os números das lojas em operação são elevados apenas para que se torne atrativa a venda de uma nova franquia. Segundo a advogada, será criada uma falsa expectativa no franqueado, que acreditará que sua loja não fatura dentro da média e que ele possui muitos problemas. Quando ele descobre que foi enganado, a situação piora, levando até á  ruptura do relacionamento.
 
Potencial franqueado também precisa agir com transparência – Por medo de não ser aceito na rede, muitas vezes o próprio candidato á  franquia esconde da franqueadora sua real situação. Muitas marcas, por exemplo, exigem dedicação exclusiva ao negócio. Se o franqueado não tem como se manter financeiramente nos primeiros meses, pode querer ter um trabalho paralelo, o que prejudica seu desempenho na franquia e, como um efeito dominó, faz com que a nova loja não tenha o resultado esperado. De acordo com Melitha, por isso, é imprescindível só ingressar numa marca quando se tem as condições exigidas, afinal, você não pode colocar toda a sua reserva financeira no risco.
 
Não há uma saída legal, juridicamente falando, para processos de seleção mal conduzidos ou inconsistentes. A advogada explica que o franqueador deve estar consciente de seu papel. O processo de seleção é de sua autoria. Não existe previsão legal a respeito e o franqueador pode e deve se utilizar de todas as ferramentas que sejam necessárias para conhecer seu futuro franqueado. Desde mapas astrais até delineamento de perfil psicológico, passando por análises cadastrais e roteiros de entrevistas, tudo vale para se avaliar as competências e inteliências desse ser humano candidato a franqueado. Assim como ele deve proteger sua marca, cabe ao investidor também se precaver, analisando os dados com a ajuda de quem entenda mais do que ele e, principalmente, conversando com franqueados e ex-franqueados da rede. Eles é que trazem as melhores informações para a escolha correta.

Soma

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