Indústria prevê crescimento zero para o PIB

A crise financeira internacional se instalou de forma rápida e disseminada na economia brasileira. Por conta disso,  o PIB terá crescimento  nulo  em  2009,  de  acordo  com  previsão  divulgada  nesta quinta-feira  (26)  pela  Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.  O resultado interromperá uma sequência de pelo menos nove anos de crescimento contínuo e de cinco anos de elevação do PIB de mais de 3%.

O documento Informe Conjuntural,  que traz as projeções da instituição para  a  economia  no  ano,  informa  ainda  que  o  setor  que mais será prejudicado  é  justamente  o industrial, que terá uma redução de 2,8% no seu  PIB.  As projeções anteriores da CNI para este ano eram de 2,4% de crescimento da economia e de 1,8% de aumento do PIB industrial ante o ano passado.

Segundo os técnicos  da  instituição,  a queda de 3,6% do PIB no quarto trimestre  de 2008, a maior em mais de uma década, fez com que a economia entrasse  neste  ano  num  ritmo  muito aquém do necessário para que haja crescimento  positivo.  Em outubro passado, o efeito carregamento era de 1,6% positivo, ou seja, se o País não acelerasse o ritmo o crescimento em 2009 ainda seria de 1,6% sobre 2008.

O tombo no quarto trimestre foi tão acentuado, segundo a CNI, que o efeito carregamento passou a ser de 1,5% negativo. Isso quer dizer que a economia terá de crescer 1,5% ao longo dos quatro trimestres de 2009 para empatar com o patamar de 2008.

A CNI prevê  que  a taxa de desemprego média neste ano ficará 1,2 ponto percentual  acima da taxa média de 2008. Para a instituição, o desemprego neste ano alcançará os 9,1%, na média, ante 7,9% no ano passado. O pico do desemprego deverá ser entre abril e maio, chegando próximo dos 10%. A taxa do final do ano deverá ser mais suave, em torno de 7,7%.

Com desemprego em alta, a massa salarial deverá diminuir, fazendo com que o  consumo  das  famílias, importante fator de demanda no crescimento dos últimos  anos,  passará a ser negativa. A CNI estima que a variação anual do  consumo  das famílias será de 0,9% negativo, ante crescimento de 5,4% em 2008 sobre 2007. A previsão anterior da CNI era de crescimento de 3%.

Para a instituição, a inflação ficará sob controle, dentro da meta estabelecida  pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para a CNI, o IPCA, índice oficial, fechará em 4,2%  no ano. A estimativa anterior era de 4,8%.

A folga na inflação abre espaço para um corte de juros mais significativo, afirmam os técnicos da CNI. Eles acreditam que a taxa nominal de juros média no ano será de 10,2%, ante a previsão anterior de 12,21%. Para o fim do ano, os técnicos preveem 9% de taxa de juros.

Soma

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *