De empacotador a executivo de empresa de TI

Há muitos anos era difícil que um rapaz jovem pensasse em empreender. Lógico que com a cultura de hoje, apressada e imediatista, é diferente. Mas antes disso, a vida era mais complicada e com 13 ou 14 anos os adolescentes já estavam trabalhando. Foi assim que começou a vida de empreendedor de Juarez Araújo, hoje diretor comercial da DBACorp, uma empresa de TI. Ele, que vivia a infância em uma fazenda, no município de Nova Londrina, interior do Paraná, veio com a família para São Paulo em busca de melhor qualidade de vida. Um grande passo para quem estava acostumado a viver sem energia elétrica, à base de uma lamparina que queimava com querosene e um chuveiro adaptado de galão.
O objetivo da família era melhorar sua condição de vida, principalmente a das crianças, que precisam estudar. Era tudo bem simples e a mãe de Juarez era quem fazia o seu próprio uniforme. “Meu uniforme de educação física era feito por ela, que costurava meu shorts com retalhos de outras roupas. E assim fomos vivendo, meus pais trabalhando muito e nós estudando para retribuir. Era nossa obrigação”, conta Araújo. Aos 13 anos, Juarez já começava sua trajetória, conseguindo seu primeiro emprego tomando conta de um escritório que ficava boa parte do tempo sem ninguém para tomar conta, e depois em uma fábrica na montagem de tubos de televisão. Eram pequenas, mas significativas conquistas, que ao longo do tempo foram lhe mostrando como o mundo funcionava. Mais tarde, próximo de onde morava, começou a trabalhar de empacotador, ou “pacoteiro”, de supermercado.
“Foi uma ótima experiência em minha vida. Ali aprendi – sem saber que estava aprendendo – a me relacionar com várias pessoas. Colegas empacotadores, operadoras de caixa, motoristas, várias pessoas”, analisa. Ainda se divertia com os colegas de trabalho jogando bola em sua hora de almoço e realmente gostava de estar ali. Um ano inteiro se passou e Juarez sentiu a necessidade de progredir, de avançar com os estudos e teve a ideia de procurar um cargo de office-boy em um escritório. Quando conseguiu, percebeu que a rotina era totalmente diferente e que teria que adquirir novos conhecimentos, aprendendo a planejar cada uma de suas ações antes de sair às ruas da cidade. Acreditava que fazia um bom trabalho e, de fato, o fazia. “Acontece que quando você pensa que está fazendo tudo direitinho, as ‘derrapadas’ você não vê, mas seu chefe vê. Talvez tenha sido falta de bom senso da minha parte e acabei demitido”, analisa.
Algum tempo depois ele iniciou o curso técnico de Processamento de Dados e o motivo pelo qual este curso lhe chamaria atenção? “Tinha um teclado igualzinho ao da máquina de escrever, que eu já tinha experiência. Um erro e você podia apertar uma tecla. Pronto”, conta. Pode parecer algo bobo nos dias atuais, mas na época era uma grande descoberta para um mundo acostumado com a datilografia. E foi em uma montadora japonesa que ele começou a ter o primeiro contato com os computadores (aqueles enormes) de fato, não na função exatamente, mas aprendendo com quem mantinha a função. Foi despertando esse interesse que seus superiores na época começaram a promovê-lo a novos cargos, começando como digitador (e errando muito no início). Mas não foi fácil – a empresa teria que demitir funcionários e poucos iriam continuar. Foi aprendendo cada vez mais em suas horas extras, que Juarez conseguiu se manter, substituindo outros funcionários de férias em funções ligadas diretamente aos computadores.
Ao sair de lá ele iniciou a carreira “para valer”, já em contato com microcomputadores da mesma forma que no emprego anterior: perguntando para quem mexia e aprendendo com eles. Foi convidado pelos seus superiores a trabalhar finalmente, e oficialmente, na informática. “Nessa empresa trabalhei por 10 anos, fui promovido várias vezes, nela aprendi a mexer com infraestrutura de redes, infraestrutura de microinformática, programar, ser analista de sistemas, trabalhei programando, assumi sistemas e desenvolvi outros tantos sozinho”, conta. De acordo com ele, esta empresa lhe rendeu mais que uma experiência, pois foi ali que conheceu sua esposa, Márcia Estillac, e seguindo a vida, tiveram a filha Jéssica, que hoje também trabalha com ele.
Araújo ainda trabalhou em outras empresas, coordenando novos projetos, com novas tecnologias, até o dia que decidiu se tornar consultor e abrir o seu próprio negócio. Poucos tiveram a sorte de testemunhar a mudança drástica e repentina da sociedade pela tecnologia e aproveitá-la, ao longo dos anos, para crescer com ela. A tecnologia foi feita por pessoas com visão de mundo, do futuro, e Juarez compartilhou dessa mesma visão para criar a sua empresa e se tornar empreendedor.
A DBACorp, especializada em Banco de Dados, Infraestrutura e Virtualização, nasceu da parceria com outro executivo, Reynaldo Ajauskas, também consultor que conheceu Araújo em um dos seus empregos. No início, eles não tinham nem mesmo um escritório físico e hoje, além da matriz em São Paulo, possuem uma filial no Rio de Janeiro e atendem o Brasil inteiro. “A DBACorp já possui 17 anos e mais de 60 colaboradores que trabalham conosco. Sinto-me bastante orgulhoso em contribuir para o desenvolvimento deles e também o de suas famílias”, revela.








