Expectativas melhoram no Brasil, mas clima econômico na América Latina piora

O clima econômico da América Latina caminhou em sentido contrário ao da média mundial: entre julho e  outubro, o ICE Mundial avançou cinco pontos, retornando ao patamar de abril passado (100 pontos). No mesmo período, o IE mundial subiu de 98 para 108 pontos, enquanto o ISA ficou estável na zona desfavorável do ciclo, em 92 pontos.

A melhora do ICE Mundial está associado aos resultados dos países desenvolvidos, com destaque para Estados Unidos, o bloco da União Europeia e o Japão, todos com clima econômico favorável. No grupo dos BRICS, todos os países registraram melhora do clima econômica, mas permanecem na zona de avaliação desfavorável. A exceção é a Índia, com pequena queda do ICE na margem, mas ainda na zona favorável (131 pontos). Logo, a Sondagem aponta uma recuperação, ainda que lenta, da economia mundial, liderada pelos países desenvolvidos.

A pesquisa foi realizada em outubro e incluiu uma questão sobre o possível impacto no clima econômico da eleição presidencial nos Estados Unidos. No caso de Trump ganhar, o impacto no mundo seria negativo (-43%) e na América Latina, o efeito ainda seria pior (-62%). Se Hillary Clinton fosse eleita, o impacto seria positivo: 5,9% e 29%, respectivamente. Na próxima Sondagem de janeiro, quando já tiverem sido anunciadas as medidas do novo Presidente, será possível avaliar se as expectativas negativas irão se confirmar.
A ponderação para se chegar aos resultados regionais da pesquisa é determinada pela corrente de comércio (exportações + importações). Por este critério, o México tem o maior peso na América Latina, com 45% do total, seguido do Brasil, com 21%. Por isso, a queda expressiva do ICE do México em outubro, de 74 para 57 pontos, foi o principal fator a influenciar na queda do indicador da região (Gráfico 3), mais que compensando a alta do ICE brasileiro, de82 para 90 pontos. Os outros países com queda no ICE (Bolívia, Colômbia e Paraguai) somam apenas 7% da corrente de comércio da região.
O clima econômico do Brasil melhorou pelo quarto trimestre consecutivo liderado pela alta no indicador das expectativas, já que desde julho de 2015, o indicador da situação atual está no nível mais baixo da avaliação da Sondagem (20 pontos). Continua, portanto, à espera de resultados que se traduzam na melhora efetiva das condições econômicas. Além do Brasil, em outubro o clima econômico melhorou na Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela.

Os indicadores da situação atual melhoraram em quatro países (Argentina, Equador, Peru e Uruguai), pioraram na Bolívia, Chile, Colômbia e México, e ficaram estáveis no Brasil, Paraguai e Venezuela. Apenas três países estão na zona favorável do ciclo econômico: Bolívia, Paraguai e Peru. As expectativas melhoraram em seis países e são favoráveis na Argentina (166 pontos); Brasil (160 pontos); Peru (150 pontos); Paraguai (114 pontos); e Uruguai (110 pontos). Neste grupo, todos os IE registrados em outubro estão acima da média histórica de 10 anos.

A Sondagem de outubro também incluiu a enquete sobre os principais problemas que os países enfrentam para crescer. A novidade foi a introdução do item Corrupção no questionário. A tabela abaixo apresenta os temas que foram considerados relevantes pelos especialistas e ordenados pela sua importância (quando os especialistas atribuíram notas de avaliação iguais, a ordenação é repetida). No caso do Brasil, a principal questão foi a corrupção (8,4 pontos numa escala máxima de 9 pontos), seguida pelo déficit público (7,8 pontos) e o desemprego (7,7 pontos). Não foram considerados problemas as barreiras às exportações; dívida externa; falta de capital; e falta de mão obra qualificada.

A “corrupção” é o principal problema em 6 dos 11 países selecionados. Na Venezuela, todos as questões foram consideradas relevantes. Em seguida, sete questões foram consideradas relevantes para Brasil e Argentina, seis para o Equador, cinco para Bolívia, México, Peru e Colômbia e três para Chile, Paraguai e Uruguai.

Para se manter o otimismo dos especialistas em relação ao Brasil e a Argentina ao longo do tempo, portanto, estes países deverão enfrentar uma agenda extensa de problemas na construção de um clima econômico sustentavelmente favorável ao crescimento econômico.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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