Supermercadistas apresentam soluções para aumentar a segurança

Palestrantes do forum Seguranca- Direito de todos, promovido pela Apras.
Palestrantes do forum Segurança- Direito de Todos, promovido pela Apras.

Os supermercadistas paranaenses e especialistas em segurança pública se reuniram na última terça-feira (22), no Fórum Segurança – Direito de Todos, promovido pela Apras (Associação Paranaense de Supermercados), para discutir a falta de segurança da população e reunir soluções que possam ser aplicadas pelo poder público. Um dos especialistas, o coronel José Vicente da Silva Filho, que é ex-secretário nacional de segurança pública, palestrou sobre o assunto, apresentou diversos cases de sucesso e destacou a importância de uma gestão eficiente da Polícia e de investimentos que diminuam a desordem nos bairros.

O coronel destacou que com a crise atual, é importante saber trabalhar com os recursos que se tem e que para isso será necessário se inspirar e também transpirar muito para produzir uma organização mais eficiente, racional e bem sucedida. “O que a polícia precisa hoje é se inspirar na filosofia do comportamento do empresário, que precisa lucrar com a estrutura que tem. O lucro da polícia é reduzir o crime e ambos precisam tratar bem os seus clientes, que é o cidadão, já o bandido é o concorrente”. Ele ainda destacou a importância da capacitação dos delegados, capitães e coronéis, além de uma cobrança de resultados destes profissionais.

O delegado Adjunto da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, Emmanoel Aschidamini David, concordou que existe falta de conhecimento em gestão dentro dos órgãos públicos. “Nós vivemos hoje uma crise institucional, moral, política, governamental e ética. Com toda a certeza, princípios simples da gestão e da economia estão sendo aplicados nos serviços públicos somente agora”, confirmou.

Além de uma gestão mais eficiente, o Coronel Vicente acrescentou que é preciso que haja melhor cooperação entre a Polícia Civil e a Militar, além de uma parceria com a Polícia Federal e uma íntima relação com a Prefeitura, pois, segundo ele, as áreas degradadas da cidade produzem o crime. “Existem um conjunto de medidas que precisam ser pensadas nas estratégias gerais da segurança do estado e nas estratégias particulares para cada cidade. Isoladamente, o que se pode produzir é muito pouco, principalmente pela escassez de recurso, mas em conjunto pode-se melhorar substancialmente”.

A integração também foi defendida pelo Promotor Alexey Chói Caruncho, que também afirmou que soluções imediatas não existem. “É necessário um trabalho pontual e organizado em que todas as instituições voltadas ao sistema de justiça criminal conversem e falem a mesma língua. Existem intentos disso, a gente sabe o quão difícil é, e neste diálogo, a sociedade tem que ter voz determinante”.

Segundo a Polícia Militar, no setor supermercadista houve um crescimento de 15% nos crimes de furtos. Já os crimes de roubos, praticados mediante violência ou grave ameaça, cresceram 27%. “A Polícia Militar se preocupa em relação a este contexto e legislação, em que no crime de furto caracterizado de maneira absoluta como um crime de menor potencial ofensivo, o praticante deste delito não fica preso”, afirmou o Comandante Geral da PMPR, Coronel Maurício Tortato.

Além de deixar sequelas psicológicas e físicas, os criminosos também criam prejuízos materiais para os empresários. “Nesta terra onde problemas não faltam, talvez o que mais preocupe a grande maioria das pessoas seja insegurança coletiva diante da criminalidade sem controle. O aumento dos furtos e dos roubos com atos de extrema violência no Paraná, praticados por ação de organizações criminosas articuladas tem provocado danos a vida de clientes e funcionários dos estabelecimentos comerciais, além de prejuízos de ordem material que impactam diretamente as operações das empresas”, ressaltou o Coronel Luiz Alberto Leão.

Segundo o presidente da Apras, Pedro Joanir Zonta, os impactos financeiros não se restringem aos empresários, mas atinge toda a população. “Mais do que estas perdas, há também um alto custo pago pelas empresas, que impacta diretamente no preço final pago pelo consumidor. Segundo estimativa da Apras, os supermercados do Paraná gastam por ano R$ 290 milhões, em Segurança, Transporte de valores, Alarmes, Indenizações, Investimentos em monitoramento por câmeras e, principalmente, em perdas por furtos e roubos”.

Hoje, o custo do crime para o empresário brasileiro chega a R$130 bilhões por ano, segundo dados da CNI (Confederação Nacional das Indústrias). Genericamente, o custo da violência no país representa 5% do PIB, conforme estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). “A violência empobrece a sociedade e há um custo enorme de sofrimento e também financeiro. Alguns destes custos são obrigatórios, como os presídios, o aparato judicial e a contratação de segurança privada, mas pode ser reduzido um terço deles, que é praticamente R$80 bilhões que poderiam estar sendo aplicados melhor”, destaca o coronel.

Também falando do custo e investimentos realizados pelos empresários, o Promotor Caruncho afirma que existem experiências bem sucedidas de polícia comunitária, mas que ela não pode substituir o dever estatal de prestar segurança pública. Para ele, não deve ser dada à sociedade a obrigação de responder pela segurança pública, sendo que ela já tem que pagar diversos impostos para isso.

Outra palestrante trazida para o Fórum foi a desembargadora Lídia Maejima, que foi aplaudida em pé e ovacionada pelo público. A desembargadora destacou que o Tribunal de Justiça executa as leis existentes, mas para que de fato haja uma redução nos índices de criminalidade, é fundamental que não sejam criadas leis cada vez mais brandas para os criminosos. “Hoje, com a brandura da legislação brasileira, desde a Lei das Execuções Penais de 1984 e em vigor desde 1985, estão resolvendo a questão da superlotação carcerária não com a construção de presídios, como deveria ser, e sim abrandando a lei”, disse Lídia.

Com relação à mudança na legislação, Lídia apontou o caminho correto e destacou a importância da sociedade civil organizada neste cenário. “A reunião de um grupo como este é de suma importância na medida em que os magistrados, juízes, desembargadores e ministros das cortes superiores cumprem as leis em vigor e, se é necessária a mudança de uma lei, ela precisa ser proposta por um parlamentar, evidentemente. Se a sociedade civil e organizada chega a conclusão que é necessário haver alguma mudança, ela pode procurar um parlamentar e fazer o pedido, ou então reunir assinaturas e remeter diretamente ao Congresso Nacional”.

O Comandante Geral da PMPR falou sobre a grande demanda da polícia, que atua de forma preventiva e também em situações em que a prevenção falhou. “Somente em Curitiba e Região Metropolitana, a Polícia Militar produz mais de 130 presos por semana, enquanto o sistema carcerário libera, dentro dos mutirões, das progressões de regimes, na utilização de tornozeleiras eletrônicas, em torno de 120 vagas. Eu poderia de modo leviano manifestar que se as cadeias públicas e as carceragens temporárias da Polícia Civil e o sistema penitenciário estão superlotados é porque a Polícia Militar, com grande ênfase, com outros atores também como a Polícia Cívil e a Federal, estão trabalhando muito”.

Já a presidente do Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, Isabel Mendes, destacou a falta de estrutura do sistema prisional. “Nós prendemos sem estrutura e sem condições de atender à Lei de Execução Penal, que preconiza estudo, trabalho, espaço individual, direito à leitura, remição, horas de sol, etc. Hoje em dia, temos poucas vagas para muitos presos, o que gera uma superpopulação carcerária sem precedentes”.

Entre os palestrantes estiveram o Coronel José Vicente da Silva Filho, que é ex Secretário Nacional de Segurança Pública e mestre em Psicologia Social pela USP; o Coronel Luiz Alberto Leão; a Desembargadora Dra. Lidia Maejima, que ocupa o cargo de 2ª vice-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná; o Promotor Alexey Chói Caruncho, representando a Pomotoria Criminal; o Comandante Geral da Polícia Militar do Paraná, Coronel Maurício Tortato; a Dra. Isabel Mendes, integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR Nacional; e o Delegado Adjunto da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, Emmanoel Aschidamini David.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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