Amcham Curitiba reúne diretores e executivos de empresas paranaenses para discutir impactos da posse de Trump no Brasil e no mundo

A Câmara de Comércio Americana de Curitiba (Amcham) está reunindo na manhã desta quinta-feira (8), diretores e executivos de várias empresas localizadas no Paraná para discutir os impactos das eleições dos Estados Unidos no Brasil e no mundo. Eu conversei com o economista, diplomata e cientista político, Marcos Troyjo, que está palestrando no evento, e ele me disse que o cenário econômico antes da posse de Donald Trump, que deve acontecer em 20 de janeiro próximo, é de muita incerteza e tensão.
Marcos Troyjo, que também é diretor do Briclab da Universidade Columbia, em Nova Iorque, explica que como o quadro é de indefinição, dá para se esperar tudo, mas muita coisa que Trump prometeu durante a campanha presidencial, não terá condições de cumprir.
Por exemplo, o boicote que pediu à cafeteria Starbucks após a marca lançar seus tradicionais copos especiais de Natal sem a frase “Feliz Natal” impressa. A versão desse ano, é inteira vermelha, o que levou a uma série de acusações sobre a tentativa da marca de remover as tradições religiosas da festividade. Segundo me disse Marcos Troyjo, os Estados Unidos não produzem copos de café suficientes , que são importados da Tailândia, já os canudinhos vêm da Índia e o papel que embala os canudinhos são comprados da China. Portanto, seria muito difícil as fábricas localizadas nesses países se transferirem para os Estados Unidos, pois aumentaria em muito a estrutura de custos refletindo nos os seus balanços. Isso sem considerar que tal decisão respingaria no preço das ações cotadas em bolsa de valores. Ou seja, uma decisão desse nível agrada os eleitores de Trump, mas prejudica a economia em níveis mundiais.
Outro problema apontado pelo economista, que deixa o novo presidente dos Estados Unidos numa situação desconfortável é dívida dos americanos, que é superior ao PIB norte-americano.
Com relação à possibilidade de Trump impor barreiras à China, Marcos Troyjo explica que retaliações também poderiam ser feitas por parte do governo chinês. Hoje por exemplo, os chineses compram US$ 11 bilhões por ano de soja dos Estados Unidos e os negócios com aviões da Boeing chegaram a US$ 15 bilhões. “Eu imagino o que pode acontecer com o balanço patrimonial das empresas americanas que operam no Sudeste Asiático caso sejam impostas barreiras unilaterais nas exportações da China para os Estados Unidos. Grandes empresas, entre elas, Walmart, Starbucks e Apple que têm produção lá serão prejudicadas, isso para não mencionar riscos como um surto inflacionário, pois são os americanos que pagarão a conta”, destaca.
Eu perguntei ao economia sobre o que deve acontecer com o dólar a partir da posse de Donald Trump e ele me disse que a tendência é de alta, mas não haverá uma depreciação tão elevada como a que ocorreu em outubro de 2015.
O diretor do Briclab da Universidade Columbia, em Nova Iorque, compara que do ponto de vista do oportunismo, o discurso de Donald Trump é muito parecido com o de Lula e do ponto de fazer as coisas ligadas à infraestrutura tem muito a ver com o discurso feito por Dilma. Ainda com relação à infraestrutura, Troyjo diz que Trump está prometendo uma renovação nos Estados Unidos. “Isso é bom para os exportadores de commodities minerais brasileiros, já que vários negócios poderão ser gerados. Por outro lado, diminuirá o interesse dos investidores estrangeiros nas concessões de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias do Brasil”, conclui.








