Empresas devem estudar bem o plano de saúde que pretendem contratar para seus funcionários para não correrem o risco de cortá-lo posteriormente para reduzir custos
Pesquisas apontam que os planos de saúde são hoje um dos benefícios mais valorizados pelo trabalhador brasileiro, ficando atrás apenas do próprio salário. Aliás, muitas empresas têm utilizado o plano de saúde como uma estratégia para a retenção de talentos. Porém, diante do atual cenário econômico, onde a maioria das empresas está enxugando custos, torna-se cada vez mais necessário que as companhias olhem com atenção para o benefício e avaliem se realmente estão oferecendo o plano de saúde ideal para seus funcionários.
No ano passado, por exemplo, quase um milhão e meio de trabalhadores perderam seus planos de saúde. Este ano, segundo informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar, só em janeiro, houve uma redução de 192 mil beneficiários em planos de assistência médica.
Mas, antes de cortar o plano de saúde, é importante que as empresas saibam escolher o benefício, visando o melhor negócio tanto para a companhia, quanto para o colaborador. Neste sentido o especialista em planos de saúde e fundador da Célebre Corretora, Marcelo Alves, dá algumas dicas importantes. Em primeiro lugar é fundamental que se faça uma análise do quadro funcional da empresa. Ou seja, a empresa precisa analisar dados como doenças crônicas, faixa etária, região demográfica e se existem grupos de risco que podem desenvolver diabetes, obesidade ou doenças respiratórias. Outra dica do especialista é que as empresas que não exigem viagens corporativas escolham a cobertura regional. Essa simples mudança na contratação do plano pode gerar uma economia de no mínimo 30% no contrato com a operadora.
A coparticipação e o copagamento também devem ser considerados. Atualmente, muitas empresas têm optado pelo copagamento, que nada mais é do que a divisão da mensalidade do plano com o funcionário ou pela coparticipação, que é a modalidade em que o usuário paga, além do valor mensal do plano, uma taxa a cada vez que passar por uma consulta, realizar um exame, e alguns outros procedimentos. Essa medida, além de proporcionar a continuidade do benefício, faz com que o colaborador utilize o plano de saúde de maneira mais responsável, evitando consultas e exames desnecessários.
Os planos empresariais são reajustados de acordo com a inflação dos itens médicos e do índice de sinistralidade, que medem o grau de utilização do plano. Por este motivo é importante indicar aos funcionários como utilizá-lo de forma consciente. Essa orientação é fundamental, pois muitas vezes o uso indiscriminado pode alavancar o valor do reajuste e, em casos mais graves, fazer com o que a empresa opte pelo cancelamento do plano.
Também deve ser dada atenção especial à carência. De acordo com Marcelo Alves, para os planos coletivos empresariais com 30 participantes ou mais, a exigência do cumprimento de carência não é permitida. Apenas no caso do número ser inferior a 30 pessoas acontecerá a exigência do cumprimento de carência, levando sempre em conta os prazos máximos estabelecidos pela ANS. “É bom ficar atento, pois a carência pode desestimular a adesão do funcionário ao plano”, comenta.
Ainda é importante confirmar se a cobertura escolhida é a mais adequada, já que nem sempre vale a pena adquirir o plano referência, que abarca a cobertura ambulatorial, hospitalar e obstetrícia. O que muitas pessoas não sabem é que essas coberturas podem ser contratadas separadamente. “A cobertura ambulatorial garante o atendimento em consultas e pronto-socorro, incluindo exames laboratoriais e é indicada para funcionários de até 29 anos, pois a hospitalização devido a complicações de doenças crônicas geralmente é menor”, explica Alves. Já a cobertura hospitalar compreende os atendimentos realizados durante a internação hospitalar, mas não tem cobertura ambulatorial. “Empresas que possuem funcionários com maior faixa etária, doenças hereditárias ou quadro feminino maior que 30% – que podem utilizar pré-natal e maternidade – podem vir a utilizar a cobertura hospitalar”, completa o fundador da Célebre Corretora.








