Pesquisa revela que um terço dos consumidores prefere lavar louças a visitar lojas físicas

Cresce cada vez mais a quantidade de clientes frustrados com a experiência de compra presencial, que oferece pouco das conveniências do comércio eletrônico. Quatro em cada dez pessoas (40%) alega que comprar no varejo físico é uma obrigação e um terço (32%) diz que prefere lavar louças a ter que visitar lojas tradicionais. Esta descoberta é parte do relatório que acaba de ser publicado pelo Instituto de Transformação Digital da Capgemini, intitulado Making the Digital Connection: Why Physical Retail Stores Need a Reboot.

O estudo, conduzido com mais de 6 mil consumidores e 500 executivos do varejo de nove países, destaca uma crescente divisão entre as opiniões de varejistas e consumidores quanto a importância das lojas físicas: 81% dos executivos consideram seu ponto de venda relevante, enquanto menos da metade dos consumidores (45%) concorda com essa visão. Os consumidores estão tão frustrados com suas experiências no varejo físico que não só deixaram de acompanhar o ritmo da evolução das compras on-line, como estão se desconectando de suas lojas virtuais. A insatisfação é maior na Suécia e na Espanha (com 54% e 49% respectivamente afirmando que a compra presencial é uma tarefa árdua) e a menor na China e nos EUA (29% e 31%, respectivamente).
Mais da metade (54%) dos executivos de varejo entrevistados para esta pesquisa admitiram a lentidão em digitalizar suas lojas físicas e que as frustrações dos consumidores com os pontos de vendas físicos estão baseadas no fato de não terem acesso a recursos que são comuns nas lojas on-line:
71% consideram difícil a comparação de produtos
66% estão irritados com as longas filas nos caixas
65% se queixam de que as promoções realizadas nas lojas físicas não são relevantes
65% simplesmente não conseguem encontrar os produtos que precisam

Consumidores estão explorando novas formas de compras

A baixa satisfação com as lojas físicas é um dos dois desafios mais significativos enfrentados pelos varejistas tradicionais, conforme revelado pela pesquisa. Os consumidores também estão explorando novos modelos de varejo que reduzem sua dependência de varejistas tradicionais. Mais da metade está aberta a comprar diretamente de fabricantes no futuro (57%) ou a comprar de players de tecnologia como Google, Apple e Facebook (59%), caso venham a se associar a varejistas locais para a entrega final. No geral, 71% dos clientes considerariam ignorar os lojistas tradicionais – essa atitude é mais prevalente na China, onde mais de três quartos (87%) dos entrevistados considerariam alternativas.

Meio digital: um desafio para lojistas tradicionais

Os varejistas reconhecem a importância da digitalização dos pontos de vendas – considerada uma prioridade pela maioria dos executivos de varejo (78%) -, porém se veem limitados pelos investimentos em tecnologia existentes e pelas capacidades da equipe das lojas. Ao todo, 40% dos executivos do varejo afirmaram estar implementando tecnologias como Wi-Fi na loja, enquanto um número similar afirmou que seus executivos não estão promovendo iniciativas digitais nos pontos de vendas.

Mais significativamente, 43% disseram ser incapazes de medir o retorno sobre o investimento de iniciativas digitais nas lojas, apesar da alta utilização. De modo geral, apenas 18% dos executivos do varejo afirmaram ter implementado iniciativas digitais em escala e gerado benefícios significativos por meio delas.

Mike Petevinos, Líder Global de Produtos de Consumo e Varejo da Capgemini Consulting, explica: “Os clientes estão cada vez mais desconectados da experiência na loja física e é fácil entender por quê. A maioria dos pontos de vendas tradicionais permanece teimosamente “off-line”, incapaz de oferecer a velocidade, flexibilidade e facilidade de uso que os consumidores têm conseguido nos sites. Rumores sobre a morte da loja física podem ser exagerados, mas estamos desconfortavelmente próximos disso. Muitos varejistas com quem conversamos admitiram não estar digitalizando suas lojas com rapidez suficiente, porque estruturar um business case para o investimento é um desafio. Este relatório deixa claro que a verdadeira pergunta que os varejistas devem se fazer não é se podem se dar ao luxo de transformar a experiência na loja física, mas se podem bancar a hipótese de não fazê-la”.

Redefinindo o papel da loja física

O cenário não é somente pessimista para as lojas físicas. Os consumidores acreditam que as lojas ainda têm um papel relevante em suas vidas – 70% ainda querem tocar e sentir produtos antes de comprar. No entanto, eles não só esperam ver os mesmos recursos que encontram on-line implementados nos pontos de vendas, como também querem incentivos adicionais:

– Pontos de vendas físicos precisam oferecer recursos on-line: três quartos dos consumidores (75%) querem verificar se há estoque disponível antes de irem pessoalmente à loja, enquanto 73% dos clientes esperam que a entrega dos produtos comprados na loja seja realizada no mesmo dia;

– As lojas precisam fazer mais do que vender: 57% dos consumidores querem que os varejistas ofereçam mais do que a venda de um produto, fornecendo espaços de socialização e experiências de aprendizado e inspiração, como oficinas de culinária ou workshops do tipo “Faça você mesmo” (DIY);

– Recompensar as visitas às lojas: Sete dos dez consumidores (68%) esperam receber pontos em programas de fidelidade por gastar seu tempo na loja e por repetir as visitas, enquanto 61% buscam se associar a lojas que oferecem preços mais baixos.

Kees Jacobs, líder para o setor de Bens de Consumo e Varejo da Capgemini, afirma: “As lojas físicas do futuro terão de ser muito diferentes se quiserem dar aos consumidores uma razão para deixarem o computador e pia de louça suja em casa para visitarem as lojas. O que ficou claro a partir deste relatório, porém, é que os pontos de vendas tradicionais ainda têm um grande papel a desempenhar. O varejo terá de decidir como será a nova geração de lojas.

A batalha para criar uma melhor experiência entre os varejistas tradicionais, com uma longa e bem-sucedida história de atuação em lojas físicas, e novos participantes digitais, estruturados em meio à internet e às tecnologias móveis, será finamente equilibrada”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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