Vendas de roupas no varejo encolhem 11% diante da forte recessão do mercado

O consumidor mesmo na crise escolhe roupas pela marca.

A crise econômica fez com que os consumidores colocassem o pé no freio nas compras de artigos de vestuário. Eu tive acesso a um estudo que acaba de ser divulgado pela IEMI Inteligência de Mercado sobre o comportamento de compra do consumidor de vestuário que revela que a forte recessão que se abateu sobre a economia brasileira afetou de maneira significativa o consumo de moda, resultando no encolhimento de 11% das vendas de roupas no varejo, nos últimos três anos.

Neste período, o Brasil saiu de um volume anual da ordem de 6,5 bilhões de peças de roupas, para pouco menos de 5,8 bilhões. Neste número não foram consideradas as roupas profissionais, promocionais e uniformes escolares.

É claro que em período de crise, há menos consumidores dispostos a comprar. Mas dentre os que compraram vestuário recentemente, o estudo aponta que a quantidade de peças adquiridas por compra caiu de 3,3 para 3,0. Já o valor gasto por compra foi elevado em mais de 25%, passando de uma média de R$ 237 para R$ 299. Em que pese a inflação do período, o que realmente puxou este gasto para cima foi o aumento no contingente de consumidores de renda mais elevada, ante uma diminuição de pessoas de menor renda, que justamente foram as mais afetadas pela recessão e desemprego.

Outro ponto importante deste estudo é que o bom atendimento que vinha sendo, até 2014, o fator mais importante na atração de consumidores para as lojas de moda, perdeu relevância nos primeiros meses deste ano, sendo superado pela oferta de preços baixos. Já com o endividamento das famílias, as compras com pagamento à vista subiram para quase 2/3 do total.

Agora, mesmo com as dificuldades atuais do mercado, a importância das marcas na decisão de compra não foi reduzida em nada, com 52% dos consumidores afirmando que a marca continua sendo decisiva na escolha do produto adquirido, na última compra. Esse foi o mesmo porcentual observado no período pré-crise.

Por último, a pesquisa da IEMI concluiu que o consumidor precisa se sentir atraído para comprar. Por essa razão, os produtos básicos deram lugar aos inovadores e diferenciados. Dentre os artigos de vestuário escolhidos pelos consumidores em sua última compra observou-se um aumento na procura por aqueles com apelo mais jovem, despojado, diferente, sexy ou romântico; enquanto que os produtos básicos e tradicionais perderam atratividade e estão mofando nas prateleiras. Este dado vem reforçar a tese de que na crise, o que vende é o inovador, que encante o consumidor e o estimule a consumir, mesmo que esteja preocupado com o seu bolso.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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