Mercado de Startups está aquecido em Curitiba
Um grupo de empreendedores de startups de Curitiba falou, na última quarta-feira (19), para uma plateia de aproximadamente 150 potenciais futuros microempreendedores sobre suas experiências à frente desse modelo de negócio. O evento faz parte do Programa Startup PR – Curitiba, do Sebrae/PR, e teve como objetivo apresentar a realidade dessas empresas, mostrando o lado menos glamuroso, que se resume em rotinas duras de trabalho, muita dedicação, erros e muitas histórias de superação.
Para a coordenadora regional de startups do Sebrae, Marielle Rieping, o formato do evento propiciou o entendimento da verdadeira realidade de um empreendedor dessa modalidade de negócios. “Mostramos todas as dificuldades e necessidades de um empreendimento inovador, desde o surgimento da ideia, até a operação e atração, fases que exigem conhecimento técnico e habilidades de ser empreendedor”, explica. Com isso, conta ela, já foi possível que os mais experientes desses “o caminho das pedras” para quem quer investir nessa área. O evento também serviu para divulgar o período de inscrições para o Programa de Pré-Aceleração, Epifania Startup – PR, em sua terceira turma, que começa em maio.
O tema “A verdade sobre as startups” foi dividido em três diferentes painéis apresentados por participantes do programa que hoje já estão atuando no mercado. No primeiro, A verdade sobre Ideias e oportunidades, o destaque foi a história de Matheus Mariotto, de 22 anos, da Coders Education, startup do segmento de educação fundada há dois anos. Quando tinha apenas oito anos, Matheus sofreu um AVC. Após um longo período de recuperação e comprometimento de parte dos movimentos do lado esquerdo, ele se interessou por fazer programação de computadores. “Descobri a vida real e a enxergar o mundo de uma forma diferente muito cedo e isso foi uma fagulha para começar tudo. Programar me fascinava e acabou por mudar a minha vida. Após os problemas de saúde, tinha que fazer algo diferente para minha vida e para me inserir no mercado”, conta.
Depois de buscar formação acadêmica fora do país, no Canadá e nos Estados Unidos, abriu sua própria empresa, que utiliza os laboratórios de informática das escolas e universidades, muitas vezes espaços ociosos ou pouco utilizados, para dar aulas de tecnologia e programação. “Utilizamos o horário do contraturno das instituições para ensinar crianças a programar jogos e sites. Damos toda a base de tecnologia e ciência da computação a um custo bem abaixo do praticado no mercado e no ambiente em que ela já está em atividade desde cedo, facilitando a logística para os familiares”, explica. Hoje, a empresa já fatura R$ 15 mil por mês e já foi, inclusive, o motivo principal da recusa de uma oferta de emprego em uma grande empresa do Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, em que ganharia um salário dez vezes maior e que encantaria qualquer jovem na área de tecnologia.
O segundo tema foi “A verdade sobre operação e negócios”, que contou com a participação do empreendedor Wagner Mariotto, que dirige a JáEntendi. Engenheiro da Computação, ele largou a carreira há cinco anos para atuar junto com sua mãe, em uma startup de inteligência educacional, focada em desenvolver metodologia de ensino para colaboradores de grandes empresas por meio de vídeo aulas. A empresa forma e capacita mão de obra com aulas de disciplinas básicas do currículo escolar e técnicas e vende isso para as empresas como ferramenta de formação eficiente e de baixo custo. “Vim para mostrar que startup não é um modelo de negócios informal, que se abre com amigos com quem se tem afinidade. Mas que precisa também profissionalizar seu método de gestão de pessoas, financeira para crescer e alcançar resultados”.
E para falar sobre “A verdade sobre tração e investimento”, o advogado Bruno Doneda contou sua experiência. Sócio da Contraktor há menos de um ano, ele e os sócios desenvolveram uma ferramenta com soluções de inteligência para automatizar contratos jurídicos. Com isso, elaboram e fazem gestão destes documentos, assinatura eletrônica e ensinam boas práticas para lidar com contratos jurídicos de empresas de diversos segmentos. Por meio de investidor, já tem cinco grandes clientes na carteira e 50 usuários do sistema, e vão abrir uma próxima rodada de investimento para captar mais recursos e investir em novos produtos no segmento. “Nossa expectativa é chegar a 300 usuários, 50 clientes na carteira e faturamento mais estável até o meio deste ano”, planeja. “Nosso exemplo mostra que o perfil do startapeiro é de ser persistente, aprender muito rápido com os erros, correr atrás e trabalhar muito, com dedicação e planejamento para colher bons resultados”, resume.
Por fim, Ricardo Dória, consultor credenciado do Sebrae/PR, fez um balanço da rodada de discussões. “O fato de estar sempre envolvida com inovação e tecnologia dá uma impressão errada sobre o mercado de startups. Esse não é modelo de negócios só para jovens ou somente para o mercado de tecnologia. O tempo mostra que também requer experiência à frente da gestão dos negócios e isso vai incentivar gestores mais experientes a se aventurarem como mentores, investidores. Startups de pessoas mais maduras tem uma grande probabilidade de darem certo num cenário que parece ser dominado por jovens empreendedores”, conclui.
Mais informações sobre as inscrições para o Programa Startup PR – Curitiba, do Sebrae/PR, podem ser obtidas no telefone pelo email [email protected]








