Em meio à crise política, empresas paralisam projetos e cancelam importações

A crise política do Governo Temer gerada pela delação do Grupo JBS mudou a rotina dos executivos financeiros das empresas, que desde ontem passaram a frequentar as salas de reuniões para discutir a tomada de decisões do que deve ser feito em meio a este momento tão delicado.
Eu conversei na manhã desta sexta-feira (19) com o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR), Claudio Lubascher, e ele me disse que como estamos no olho do furacão, as empresas de forma geral não devem tomar qualquer decisão estratégica. Os projetos que estavam em andamento em função da ligeira reação que a economia vinha apresentando nos últimos três meses, estão sendo paralisados e não devem ser retomados no curto e médio prazos. Outra decisão dos executivos financeiros, em meio a disparada dos preços do dólar é cancelar as operações de importação, pelo menos neste momento, até que se tenha uma visão mais clara do que deve acontecer.
Eu perguntei ao presidente do IBEF do Paraná sobre o que as empresas devem fazer, neste momento, com as aplicações financeiras, e ele me explicou que não é hora de trocar posições. No caso específico das aplicações em bolsa de valores, apesar das perdas expressivas registradas no pregão de ontem, elas devem ser mantidas, porque em caso de venda, o prejuízo será ainda maior.
De acordo com Claudio Lubacher, o momento é crítico, mas os empresários não podem ser movidos pelas emoções. Ele destaca que se o País já vinha sofrendo com a crise de credibilidade política, a partir de agora a situação se agrava ainda mais, uma vez que os investidores, principalmente os internacionais, continuarão afastados.
O presidente do IBEF do Paraná alerta que qualquer decisão que as empresas deverão tomar daqui para frente dependerá das condições de governabilidade do País. Em caso de impeachment ou renúncia do presidente Temer, as consequências serão nefastas, na avaliação do executivo financeiro, principalmente porque os investidores se afastarão e as reformas que vinham sendo votadas serão deixadas de lado.
Eu perguntei ao presidente do IBEF do Paraná como ficará daqui para frente a questão da empregabilidade no País e ele me disse que novas demissões não devem ocorrer no curto prazo, mas em caso de renúncia ou impeachment de Temer, tudo dependerá da equipe econômica que assumirá o governo e do andamento das reformas trabalhista e previdenciária.
No mercado de varejo, os executivos do setor acreditam que o aumento das incertezas tende a afugentar os consumidores, que certamente vão comprar menos nas próximas semanas. Por isso, a ordem do dia é dedicação total e melhor atendimento nas lojas.








