Em tempos de crise, empresas concorrentes podem ser parceiras
Em meio à toda essa instabilidade política que tem se refletido nos negócios e a crescente inserção de tecnologias nas mais diversas atividades, as empresas precisam ser criativas para se manterem competitivas no mercado. E embora muitos considerem estranha a troca de experiências entre empresas concorrentes, alguns encontros já estão sendo agendados por empresários e executivos. A interação, que acontece quando profissionais do mesmo ramo se unem, culmina na transferência de conhecimento e no cruzamento de demandas em comum, revelando que as organizações compartilham dificuldades similares.
E aí vale a pena lembrar a história de Sam Walton, fundador da rede Wal- Mart, que é considerado uma referência quando o assunto é varejo. De uma pequena loja nos EUA até um império que se expandiu para o mundo, a rede deve a ele a coragem de romper com os padrões do comércio e, literalmente, conhecer o concorrente. Walton não se fazia de rogado. Com seu inseparável boné, ele ia até as lojas concorrentes e, munido de um bloquinho, anotava tudo, como a disposição dos produtos nas gôndolas, preços, atendimento e, principalmente, as promoções. O que lhe agradava ele copiava e implantava em suas lojas. Por outro lado, também via o que não deveria fazer de jeito nenhum.
O que Walton fazia é o que passou a ser chamado de benchmarking, que quer dizer marco ou ponto de referência. Ir até o concorrente, conhecer suas práticas e por que não? copiar o que os outros fazem bem feito não é errado. Ao contrário: hoje em dia, é comum que as empresas, grandes ou pequenas, procurem se espelhar em seus concorrentes para melhorar seu desempenho. Mas, o que não pode, é usar de meios ilegais para obter dados confidenciais, pois isso é crime.
Então, não custa nada seguir o exemplo do chamado “gênio do varejo” e ficar de olhos bem abertos ao que o concorrente está fazendo. E, dependendo do que ele fizer, adaptar as boas práticas ao negócio pode ser uma grande vantagem competitiva. Agora, o que não se deve fazer é abrir os números da empresa e nem contar os planos e estratégias para aumentar a competitividade, mas existem outras formas de trabalhar com a concorrência, com benefícios para todos.


