Planejamento e inovação são fatores fundamentais para a sobrevivência dos negócios familiares

As empresas familiares representam nada menos do que 80% das 19 milhões de companhias que estão em atividades no Brasil e contribuem com 50% do PIB nacional. Mas, apesar da grande representatividade, apenas 12% desses negócios sobrevivem após a terceira geração familiar assumir o comando. E só 3% das empresas familiares passam a ser comandadas pela quarta geração. E isso não é um problema exclusivo do Brasil, mas ocorre com empresas de todo o mundo. Eu conversei com o advogado Marcelo Bertoldi, especialista em governança corporativa e recuperação de empresas, e ele me explicou que o nível de mortalidade das empresas familiares é grande em função de dois fatores, que são a falta de um planejamento sucessório consistente e investimentos em inovação, que neste caso não só incluem produtos e serviços, mas também novos modelos de negócios.
Eu pedi para que o advogado me apontasse algumas formas para poder vencer esses desafios e ele me explicou que um dos itens fundamentais é a de criação de regras. Por exemplo, quando se fala em profissionalização de uma empresa familiar, não significa que filhos ou netos sejam impedidos de trabalhar na companhia, mas eles terão que ter uma boa formação profissional e passarem por avaliações periódicas. Nesse sentido, Marcelo Bertoldi destaca os acordos de sócios para que a família empresária sirva e não apenas seja servida e que ela possa usufruir da riqueza proporcionada pela empresa. Uma companhia familiar jamais deve se tornar um cabide de emprego, caso contrário não conseguirá vencer os seus concorrentes, que contam com bons profissionais e investem em inovação.
Aliás, o advogado faz questão de destacar que inovação é um requisito fundamental para qualquer tipo de empresa. No caso das empresas familiares, a inovação pode ser feita através de pessoas capacitadas e de talentos. Se os talentos podem ser encontrados em membros da família, isso é ótimo, e uma prova de que os pais se preocuparam ao longo dos anos em criar bons donos de capital e investiram em uma boa educação profissional e financeira. Agora, se não há talentos na família, a melhor opção é buscar profissionais no mercado.
No Paraná temos alguns exemplos de boas empresas familiares, que se preocupam com a profissionalização e continuação dos seus negócios. Entre elas podemos citar o Grupo Boticário do empresário Miguel Krigsner e do seu cunhado Artur Grynbaum; a Paraná Equipamentos, da família Bório; o Grupo Noster, da família Gulin e a Rede Muffato, da família do mesmo nome, que é comandada pela segunda geração e já está preocupada em preparar a terceira geração para assumir os negócios.








