Conflitos nas famílias empresárias acabam destruindo 70% do patrimônio conquistado durante décadas

A maioria das empresas brasileiras é familiar. A história geralmente começa com um casal que abre um pequeno negócio e os filhos crescem observando o esforço dos pais. Aos poucos vão se inserindo na empresa. Mas, ao mesmo tempo que a família e a empresa crescem, os conflitos aumentam. A maior parte dos problemas neste tipo de negócio envolve disputas por dinheiro ou poder e está diretamente ligado à relação entre os membros da família.

Agora o que me chamou a atenção foi uma pesquisa realizada pela consultoria Hoft, que atua há 43 anos com famílias empresárias no Brasil, e que aponta que os conflitos são responsáveis pela destruição de 70% dos patrimônios familiares conquistado ao longo de várias décadas. Várias tentativas de blindagem têm sido adotadas, incluindo a criação de uma holding patrimonial, testamento, doação em vida, gestão não familiar e implantação de uma governança corporativa. Todas essas tentativas são válidas, mas nenhuma delas ataca verdadeiramente as causas que levam e fazem desenvolver os conflitos nas famílias empresárias, que na sua maioria são de origem cultural e emocional.

De acordo com o Sebrae, os tipos mais comuns de conflitos surgem quando os pais acreditam que todos os filhos devem trabalhar na empresa e um ou mais dos filhos não têm interesse nem aptidão para o negócio. Ou então, um dos irmãos se sente preterido nas decisões da empresa em relação aos demais ou acha que trabalha mais que outros e, portanto, deveria ser mais valorizado. Há ainda o caso de filhos que não trabalham na empresa, mas opinam nos negócios e outros membros da família discordam. Também os conflitos surgem quando os filhos constituem suas próprias famílias, agregando novos membros na relação empresa x família, e começam a opinar ou trabalhar na empresa. Outro componente forte, neste contexto, é o despreparo dos cônjuges dos empreendedores para lidar com a sua falta em caso de falecimento.

A verdade é que toda empresa tem uma razão de existir, na maioria das vezes é ganhar dinheiro e dar lucro para os sócios. Se todos estiverem interessados em fazer a empresa ganhar mais dinheiro, os problemas devem ser analisados a partir do resultado final que se espera. Já a melhor maneira da família se preparar para resolver os conflitos é conversar e discutir com racionalidade antes que os problemas aconteçam. Outra opção é a constituição de um conselho familiar, ou então buscar ajuda de terceiros, ou seja, pessoas que não são membros da família e não fazem parte da gestão do negócio para mediar os conflitos, como consultores terceirizados, empresários parceiros, coachs em liderança. O papel desses mediadores é auxiliar as partes interessadas a chegar a um consenso.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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