Banco oferece crédito para compra de crédito de carbono
O Grupo Santander começa a oferecer uma linha de 50 milhões de euros para a compra de crédito de carbono (CER, na definição do Protocolo de Kyoto) para o Brasil, o Chile e o México. Não há restrições para tipo, fase ou volume do projeto. O prazo vai até o final de 2012, quando também termina o primeiro peíodo de compromisso do protocolo criador da nova moeda como um mecanismo para contribuir com a redução das emissões de carbono e, consequentemente, do aquecimento global.
A linha funciona como uma via de mão dupla. O Santander pode tanto comprar os CER de empresas brasileiras, chilenas e mexicanas quanto vendê-los para empresas européias, que são as que mais demandam este tipo de crédito. O diferencial desta linha é que as empresas vendedoras de CERÂ poderão receber até 100% do crédito antecipadamente, ou seja, antes da entrega dos CER aos compradores. A prática usual do mercado é que os vendedores sejam pagos somente na entrega dos CER aos compradores, um prazo que pode levar anos, dependendo de cada projeto.
Alguns exemplos de empresas brasileiras com potencial para a venda de CER são as usinas sucroalcooleiras e outras produtoras de energia renovável á base de biomassa, hidráulica ou eólica, além dos aterros sanitários. Brasil, Chile e México são os três países latino-americanos com o maior potencial de emissão de CER nos próximos anos, totalizando 33,5 milhões de CER por ano, somente se levados em consideração os projetos registrados na ONU até o momento. Segundo dados da própria organização, a expectativa de emissão anual destes países é de 20,4 milhões para Brasil, 8,6 milhões para o México e 4,5 milhões para Chile.
Outra vantagem para as empresas destes países, para a venda antecipada dos seus créditos futuros, é a possibilidade de fixar o preço de venda na entrega dos créditos, mitigando desta forma o risco de mercado. O preço dos CER, assim como o de outros commodities, oscila muito. O CER com garantia de entrega em dezembro deste ano, negociado na Bolsa de Clima Européia, a maior bolsa de carbono, oscilou nos últimos 12 meses entre o mínimo de 7,39 euros e o máximo de 23,88 euros. Na modalidade de venda antecipada, o crédito é negociado com um desconto em comparação com estes preços, refletindo o risco do projeto específico.








