Real valorizado prejudica agricultura do Paraná

O real continuará se valorizando e o dólar deve terminar o ano cotado a R$ 1,75, trazendo mais problemas para as indústrias exportadoras e para a agricultura. Esta foi a previsão feita pelo economista José Roberto Mendonça de Barros (foto), considerado um dos cem melhores palestrantes do Brasil, que esteve na noite desta terça-feira (4), em Curitiba. Ele falou sobre as perspectivas da economia a empresários paranaenses, a convite da Link Investimentos, que está completando um ano de atuação na capital paranaense. 

Eu conversei com Mendonça de Barros e ele me disse que o dólar só vai parar de cair, caso haja um novo problema de grandes proporções na economia mundial, o que é pouco provável. Eu perguntei a ele até que ponto a agricultura do Paraná pode ser afetada com a desvalorização da moeda norte-americana. Para o economista, como na agricultura o cenário de preços é diferenciado, a cotação do dólar na casa de R$ 1,80 a R$ 1,90 traz sérios prejuízos aos produtores de milho, cujos preços estão muito baixos. Já para o açúcar e soja, as altas cotações praticadas no mercado internacional, compensam a baixa do dólar. Para o exportador de frango a queda do milho ameniza as perdas com o dólar menor. Por outro lado, os preços mais baixos do dólar em relação ao real beneficiam o comércio e os consumidores.

Para os empresários, a previsão animadora de Mendonça de Barros é de que a crise realmente já terminou. Embora o Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas tenha como previsão que o PIB pode fechar o ano com crescimento de até 1,8%, para o economista, o PIB de 2009 deve ficar próximo de zero, o que já pode ser considerado positivo, diante das projeções negativas, que vinham sendo feitas até então. O motivo apontado por Mendonça de Barros para a recuperação mais lenta da nossa economia é a queda contínua do dólar, que dificulta nossas exportações industriais, que por sinal, respondem por 25% de toda a produção da indústria.
 

Soma

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