Setor siderúrgico debate crise
Delfim Neto, economista e ex-ministro da Fazenda, que participou nesta terça-feira (25) do 2° Encontro Nacional de Siderurgia, em São Paulo, disse que a ideia de que a China vai salvar o mundo é fantásticaâ€. Para ele, não haverá nada de novo na economia mundial: os Estados Unidos continuarão sendo a grande economia. Os três grandes objetivos dos Estados Unidos são: ter autonomia alimentar, energética e militar. A energética eles perderam, mas já estão em busca dela outra vezâ€. Delfim acredita que tudo é oportunidade: seja a crise financeira, sejam as limitações naturais que começam a assombrar a população mundial. Ninguém produz PIB sem produzir CO2. O desafio agora é como fazer um sem produzir tanto o outroâ€.
O ex-ministro elogiou a forma como o Brasil conseguiu atravessar a crise. Mas destacou duas medidas que precisam ser tomadas com urência para crescer: reforçar drasticamente a demanda interna e condições isonômicas para a indústria nacional competir com igualdade. Temos todas as oportunidades para crescerâ€.
Também participou do Encontro Nacional da Siderurgia o ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci, que citou alguns dos desafios para fazer com que o Brasil supere de vez a crise e cresça de forma sustentável, como a conquista de uma taxa de juros de padrão mundial e um gasto público que seja abaixo do PIB. Não precisamos de um estado tão grande assimâ€.
O empresário Jorge Gerdau fechou o painel do Encontro lembrando que, apesar de todo o otimismo, os desafios para o empresariado ainda são imensos. Sobretudo diante dessa indefinição de cenário econômico americano. Ele disse que os setores mais internacionalizados foram os que mais sofreram. Sendo o siderúrgico, um dos principais. Um dos maiores impactos sofridos pelo setor foi gerado pela crise na indústria automobilística, em especial a americana.
Gerdau lembrou que a produção brasileira de aço chegou a 48,8 milhões de toneladas. E que a demanda interna é de 18,7 milhões de toneladas. A diferença mostra que Brasil tem grandes oportunidades para exportar mais – mas faltam melhores condições. Daí a importá¢ncia desse debate sobre a isonomiaâ€, disse Gerdau. O empresário citou também todos os outros gargalos que ainda atravancam a produção e exportação dos manufaturados, como problemas de logística, legislação ambiental, questões trabalhistas e tributárias.
Mais de 700 pessoas participam do 2° Encontro Nacional de Siderurgia.








