Zeina Latif prevê cenário econômico benigno, mas ajustes devem trazer instabilidade

“O cenário atual da economia brasileira é benigno, o tom é otimista, mas os ajustes terão que ser feitos e isto poderá trazer alguma instabilidade durante a sua implantação, com reflexos no dólar e na inflação. Como 70% da cotação do dólar tem peso externo e apenas 30% interno, deve-se seguir também o panorama internacional, que, neste momento, é desafiador, com perspectiva de desaceleração nas duas maiores economias, a dos EUA e a da China. Esta desaceleração da economia traz em seu bojo uma desaceleração no comércio global, com reflexos sobre as moedas e sobre as vidas das pessoas”. As colocações foram feitas em Curitiba, pela economista Zeina Latif, que proferiu palestra a clientes e investidores da Praisce Capital. Reconhecida pela Forbes, Zeina é especialista em política monetária. A atual economista chefe da XP Investimentos já teve passagens em grandes bancos como o ABN Amro Real, Royal Bank of Scoltland, ING e HSBC.
Em sua palestra, Zeina Latif afirmou que o ambiente está sendo favorável e, por isso, o dólar está caindo, mas será preciso implantar as reformas. A da Previdência será apenas a primeira delas e poderá mexer com muitas pessoas, que poderão criar um ambiente hostil, mas isto vai depender muito da oposição, que, até o momento, está bastante desarticulada e enfraquecida. “O Governo Temer, goste-se ou não, deixou o país melhor do que o encontrou: implantou diversas reformas importantes, que permitiram ao país inverter a tendência de queda do PIB e tomar uma direção correta. A decisão do governo Bolsonaro de aproveitar o projeto da reforma da Previdência do governo anterior é positiva, porque ganha muito tempo de trâmite no Congresso”, destacou.
Mas, de acordo com a economista, o Brasil precisa melhorar a sua produtividade. Tanto na sua infraestrutura, como na sua capacidade de trabalho. Dois dados são importantes: 65% dos jovens não têm formação técnica ou acadêmica e a imensa maioria tem uma grande deficiência em matemática. Com isso, fica difícil melhorar a produtividade. Como consequência 60% da população brasileira vive com apenas um salário mínimo. “Como este pouco dinheiro poderá desenvolver a economia? Mesmo assim, uma das conclusões é que o brasileiro precisa aprender a poupar, para investir, tanto em conhecimento como em novas tecnologias. Na China se ganha menos e se poupa”, alerta.
Para Zeina, o progresso do Brasil não virá num curto espaço de tempo, mas à medida que estas mudanças – nos regimes previdenciário, tributário, jurídico e econômico forem sendo feitas. “O importante é que retomamos o caminho certo e todos os indicadores apontam para uma sociedade melhor a curto, médio e longo prazo”, justifica.
Independentemente do cenário político e econômico, Zeina Latif reforçou que todos não devem ficar “sentados nas suas contas”, devem acompanhar com seus assessores a volatilidade do mercado e aproveitar isso.








