Ações coletivas ainda são pouco utilizadas pelos brasileiros

Ações coletivas ainda são pouco utilizadas pelos brasileiros

O filme que deu à atriz Julia Roberts o Oscar de melhor atriz, no ano de 2001, “Erin Brockovich, Uma Mulher de Talento”, conta a história real da ativista que ficou famosa por organizar um grande processo de ação coletiva contra a companhia PG&E, que contaminou a água de uma cidade na Califórnia com substâncias altamente tóxicas, causando diversas doenças em sua população.

Daniel Strand.

Além do sucesso de bilheteria e crítica, a produção, dirigida por Steven Soderbergh, também dá luz a um tipo de processo judicial, o das ações coletivas, que, segundo o advogado Daniel Strand, do escritório Strand Advogados, são extremamente importantes na defesa dos direitos dos cidadãos, empresas e consumidores.

“É um tipo de ação que reúne diversos agentes da sociedade que têm um objetivo e uma problemática em comum, de direito difuso e coletivo. É fundamental, pois com apenas uma ação, o judiciário não fica sobrecarregado com milhares de processos sobre um mesmo tema e, com isso, a decisão é imediata e uniforme, comenta.

Essas ações, como explica, surgiram, de fato, nos Estados Unidos, com o nome de “Class Action”. Por lá, afirma o especialista, é comum que estejam atreladas aos casos ligados a grandes tragédias, tanto humanas como naturais. Daniel afirma que, no Brasil, uma das situações em que essas ações poderiam ser benéficas são os desastres recentes nas cidades de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais.

“As vítimas podem se reunir em uma associação para exigir indenizações e demais direitos e garantias que acham ser justas. As chances da Justiça responder apenas um processo com mais velocidade é muito grande, ainda mais uma ação que fale em nome de vários. Além de mais ágil, com a decisão favorável, vários são “beneficiados” ao mesmo tempo, não há aquela questão de esperar o juiz olhar processo por processo”, argumenta.

A união faz a força

Aqui no Brasil, ações judiciais com esse efeito são muito praticadas pelo Ministério Público, por meio das chamadas Ações Civis Públicas. Daniel afirma que a Justiça tem trabalhado com efetividade principalmente em questões trabalhistas, mas que ainda faz pouco na área cível, tributária e na defesa do consumidor, por exemplo.

Ele acrescenta que é necessário que as instituições, os empresários e os brasileiros se unam e busquem a solução de grandes problemas por meio das ações coletivas com mais frequência. Segundo ele, casos comuns de fraude, por exemplo, em relação ao telemarketing ou vendas casadas, poderiam ser evitados, já que uma ação coletiva pode, a depender do caso, ter efeito para todo o país.

“A atuação ainda é muito incipiente no caso da defesa do consumidor, na defesa dos direitos de setores específicos também. Nós temos bons exemplos, como a Fiesp ou mesmo a OAB, por exemplo, de associações que defendem direitos de classe, que, em geral, ao buscar uma reparação, um direito, costumam entrar na justiça em ações coletivas, beneficiando muitos, não apenas uma pessoa”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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