Bancos públicos: redução de crédito pode impulsionar desigualdade no país

Bancos públicos: redução de crédito pode impulsionar desigualdade no país

A participação dos bancos privados no saldo das operações de crédito superou a dos bancos públicos pela primeira vez, desde junho de 2013. Os dados apresentados na última quarta-feira pelo Banco Central (BC) acendem um alerta para a concentração regional e setorial dos financiamentos no país, já que os bancos privados atuam exclusivamente nas áreas e públicos de maior renda. A mudança pode representar redução de crédito para a fatia da população que mais precisa e que depende das instituições públicas para o desenvolvimento.

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Pedro Ferreira, lembra que, historicamente, os bancos privados financiam as regiões mais desenvolvidas do país, como Sul e Sudeste, e as grandes empresas. “As análises para a concessão de crédito são tão criteriosas, que só obtém quem já tem dinheiro. E o crédito para o microempreendedor do interior do Norte e Nordeste? São os bancos públicos que concedem crédito para as políticas públicas”, avalia Jair Pedro Ferreira.

De acordo com estatísticas divulgadas pelo BC, o saldo das operações de crédito das instituições estatais chegou a R$ 1,643 trilhão, enquanto o das instituições privadas (nacionais e estrangeiras) foi de R$ 1,644 trilhão. Em três anos, a carteira dos bancos públicos teve uma queda de 6,6%. Em janeiro em 2016 representava 30,2% do PIB e em maio deste ano é de 23,6%.

A Caixa responde por sete de cada 10 financiamentos imobiliários no Brasil. A população das regiões Nordeste e Norte são ainda mais dependentes dos bancos públicos para comprar a casa própria. Dados do Banco Central, de janeiro de 2019, mostram que, em Teresina (PI), 86% do crédito imobiliário é concedido pela Caixa, 12,3% pelo Banco do Brasil (BB) e 1,6% pelo Banco do Nordeste (BNB). Bancos privados não ofertam crédito para habitação na cidade. Ainda na capital piauiense, 78,5% do crédito agropecuário é concedido pelo BB, 16,5% pelo BNB e 2,8% pela Caixa.

“A função dos bancos públicos no desenvolvimento socioeconômico nacional, atendendo a população de baixa renda, nos programas de microcrédito produtivo orientado e no crédito agrícola, é um fato. É o banco público que oferta crédito para quem precisa. Os bancos privados visam lucro e não assumem riscos”, destacou Jair Pedro Ferreira.

Crise de 2008

Durante a crise econômica de 2008, iniciada com a falência do banco de investimento americano Lehman Brothers, várias instituições financeiras do mundo quebraram. Conhecida como crise do subprime, vários bancos ficaram em situação de insolvência o que afetou as bolsas de valores de todo mundo. O evento a teve reflexos no Brasil, que só não foram maiores graças à atuação dos bancos públicos que emprestaram a baixos juros, evitando que a crise fosse maior.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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