Crise européia não afeta Brasil

A crise financeira e fiscal instalada nos países do bloco chamado de PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, na sigla em inglês) não deve atingir a economia brasileira, segundo analistas. “O Brasil será muito pouco ou nada afetado, nos seus fundamentos, pela crise dos PIIGS”, afirma o consultor financeiro Raphael Cordeiro, autor do livro O Sovina e o Perdulário. De acordo com o analista Luiz Augusto Pacheco, da corretora Omar Camargo, no Brasil não ocorre nada do ênero da crise instalada na Europa. “Existem exiências para os países que utilizam o euro e que os PIIGS já ultrapassaram ou chegam perto desses limites”, avalia. O analista ainda alerta que os investidores devem ficar de olho na China, que também pode estar passando por uma bolha do mercado imobiliário e de crédito.

A crise dos PIIGS deve provocar a depreciação do euro em relação a outras moedas. “Não descarto a possibilidade de a Grécia ser ‘chutada’ do euro”, diz Pacheco. Com a desvalorização da moeda da União Europeia, o dólar, esquecido recentemente, deve retomar o poder de atração. “Em momentos de incerteza, investidores procuram refúgio em algo seguro – como o dólar e títulos do governo dos Estados Unidos. Então veremos uma alta da moeda americana e saída de capital estrangeiro”, prevê. Segundo o analista, esse movimento deve provocar muita volatilidade na Bolsa de Valores nos próximos meses.

Mesmo assim, o investidor brasileiro pode aproveitar o momento para fazer bons negócios, sempre com cautela. Hoje não existe um investimento ideal, de acordo com Pacheco. A análise da conjuntura internacional é uma ferramenta indispensável para enfrentar o mercado ainda incerto.

Raphael Cordeiro exemplifica: “comprar um fundo de ações com taxa de administração de 4% ao ano em abril de 2008, com o Ibovespa em 73 mil pontos teria sido uma grande besteira. Comprar um fundo cambial, com taxa de administração de 3,5% em agosto de 2002, com o dólar a R$ 3,80, teria sido uma grande besteira. Isso não quer dizer que o mercado de ações e cá¢mbio são péssimos, apenas que o momento e o produto não eram adequados”.

De acordo com o consultor, o impacto de uma perda é proporcionalmente maior que o de um ganho. Ele explica que, para recuperar um prejuízo de 10%, por exemplo, é necessário ganhar 11%. “Se o investidor sofrer perdas de 50%, terá que reaver suas aplicações ganhando 100%. Se elas forem de 90%, então ele precisará de retorno de 900% para recompor seus investimentos. Ou seja, no longo prazo, ganhar sempre é melhor do que ganhar muito”, ensina. “Dar oportunidade para se perder muito ou entrar em um investimento sem margem de segurança é um grande risco.”

As opções de investimentos em ações, renda fixa, fundos imobiliários e cá¢mbio nesse cenário de crise serão abordadas na palestra “PIIGS – Transformando ameaças em oportunidades”, promovida pela corretora Omar Camargo, com a economista Nastássia Romanó Leite de Castro e os analistas Raphael Cordeiro e Luiz Augusto Pacheco. O evento será realizado no dia 10 de março, á s 19 horas, no Estação Convention Center. A entrada é gratuita, mas as vagas são limitadas. Informações e inscrições pelo telefone (41) 3029-1215 ou pelo e-mail [email protected].

Soma

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