Através de programas e ações, Sesc melhora qualidade de vida dos idosos paranaenses e contribui para um envelhecimento feliz

Através de programas e ações, Sesc melhora qualidade de vida dos idosos paranaenses e contribui para um envelhecimento feliz

A população brasileira está envelhecendo rapidamente. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil, desde 2016 tem a quinta maior população idosa do mundo, e, em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos.

Na última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foram relacionadas mais de 16 milhões de pessoas acima de 65 anos. Este número deve saltar para 66,5 milhões em 2040, o que representa um aumento de 315%. 

No Paraná, para uma população de 11,5 milhões de habitantes, há 1,2 milhão de pessoas com 65 anos ou mais e com o passar dos anos, o número de idosos tende a crescer mais. Segundo projeções do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) com base na pesquisa do IBGE, em 2040, o Paraná terá 118 idosos para cada grupo de 100 crianças. Atualmente, esta proporção é de 53 idosos para 100 crianças.

O envelhecimento populacional em função do aumento da expectativa de vida, associado a uma reduzida renovação da população e diante da queda nas taxas de fertilidade, trará profundos impactos sociais, políticos e econômicos. Isso é preocupante. Quando se analisa a população mundial, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), hoje, são 705 milhões de pessoas acima de 65 anos contra 680 milhões entre zero e quatro anos. Estes números significam que pela primeira vez o mundo tem mais avós do que netos.

Outro ponto importante para se refletir, é que o futuro da longevidade não é como foi num passado recente. Ou seja, o envelhecer, hoje, é bem diferente. Até a década de 60, a expectativa de vida do brasileiro era de apenas 52,5 anos, passando para 62,5 anos na década de 80 e para 69,8 anos nos anos 2000. Já a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita em 2019, é de uma expectativa de vida de 80 anos para mulheres e de 73 anos para homens, o que representa um grande salto na longevidade da nossa população.

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Além de viver mais, a geração baby boomers, que é composta de pessoas que nasceram entre 1945 e 1960, cruza a marca dos 60 anos ativa, cheia de disposição e querendo fazer e aprender mais.

Comprometido com a qualidade de vida das pessoas, o Serviço Social do Comércio (Sesc), administrado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, está atento ao novo perfil da cada vez mais numerosa geração 60+ e oferece inúmeros programas e projetos voltados a atividades culturais e de lazer, esporte, promoção da saúde, alimentação e educação permanente.

Sesc é pioneiro em ações para idosos

A geração baby boomer está cada vez mais ativa quer aprender e se divertir. Foto – divulgação

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, é viável ter qualidade de vida na terceira idade. Essa fase jamais deve ser um momento de solidão, tristeza ou de doenças. Mesmo com as mudanças no corpo, é possível participar de atividades que ajudam a conservar a saúde física e mental.

E quando ainda nem se falava no envelhecimento da população brasileira, há mais de 50 anos, o Serviço Social do Comércio (Sesc) já começava a inovar e a criar programas visando o bem-estar dos idosos. Segundo a gerente de Ação Social do Sesc Paraná, Elisangela Domingues, os idosos que buscam ativamente por melhor qualidade de vida tendem a viver mais, e quem tem melhor qualidade de vida, encara o cotidiano de maneira mais leve, saudável e se sente muito mais feliz.

Para resgatar o valor social dos idosos, o Sesc criou em 1963 um programa pioneiro no Brasil e também na América Latina, o Trabalho Social com Idosos (TSI).  O objetivo é oferecer melhor qualidade de vida à terceira idade, estimular o desenvolvimento individual e coletivo do idoso na sociedade, promover a autoestima e integração em diferentes ambientes e reconstruir sua autonomia por meio de cursos, esportes e atividades.

No Paraná, o Sesc iniciou o atendimento a idosos em 1975 e o número de programas e cursos foi crescendo e se aperfeiçoando a cada ano. Segundo Elisangela Domingues, o projeto de ação integrada visa o bem-estar da população da melhor idade. A partir de 1978, foi criado um grupo específico de pessoas idosas, um trabalho desenvolvido pela atividade de atendimento em grupo, e em conjunto com instituições como a Legião Brasileira de Assistência (LBA).

Entre os anos de 1979 e 1981, lembra a gerente de Ação Social do Sesc Paraná, foram desenvolvidas várias ações no Centro de Atividades João D’aut de Oliveira (Sesc – Portão) em conjunto com a LBA. Esse trabalho com idosos além de ser levado para outras unidades do Sesc em Curitiba também foi direcionado para o interior, começando pela cidade de Maringá.

Trabalho com idosos é ampliado

A preocupação com a qualidade de vida dos idosos paranaenses sempre foi prioridade do Sesc, afirma o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Paraná, Darci Piana.

 No período de 1982 a 1989 ocorre a fase de expansão do trabalho com a terceira idade no Paraná evidenciando a nucleação e assessoramento aos grupos de idosos na participação de festivais; encontros regionais e nacionais; ginásticas; excursões, piqueniques e passeios; corais; peças de teatro; shows e apresentações; bailes e confraternizações.

Darci Piana

“Sabemos que população idosa irá aumentar, mas estamos preparados para atendê-los com qualidade, programação variada e muito carinho”.

Sesc Água Verde é referência no atendimento a idosos

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Na sede do Sesc Água Verde, idosos participam de várias atividades. Foto -arquivo Sesc/PR

Em 1984 foi inaugurado o Centro de Convivência da Terceira Idade (Sesc Terceira Idade), unidade voltada para atendimento específico à clientela idosa.

O Sesc Água Verde, em Curitiba, é hoje referência em termos no atendimento a idosos. Localizada na Avenida República Argentina, a unidade do Sesc Água Verde conta com uma área de quase 2 mil metros quadrados e, atualmente, cerca de 1800 idosos participam das atividades. Em todo o Paraná, cerca de 5 mil pessoas com mais de 55 anos participam dos programas, cursos e oficinas do Sesc/PR.

De acordo com a gerente executiva do Sesc Água Verde, Silmara Marques, que trabalha há 32 anos no Serviço Social do Comércio, os idosos de Curitiba podem participar de vários cursos e oficinas, entre eles, Cantoria, Seresta, Dança Circular, Dança Livre, Respiração Consciente, Tempero e Sabor, Diário de Viagem e Oficina da Memória. A maioria dos cursos e oficinas não tem qualquer custo para os participantes. “Nosso objetivo é fazer com que os idosos se sintam estimulados a saírem de casa e irem para o Sesc para se divertir, fazer amizades e  participar de atividades que lhes proporcionem bem-estar e qualidade de vida.

Ainda no Sesc Água Verde há um grupo de coral de idosos que se apresenta regularmente e são ministradas aulas de corte e costura e pathwork, inglês, ginástica multifuncional com opção de alongamento, violão, ukulele (instrumento musicial de cordas), canto, dança de salão, entre outros.

Oficina da Memória ajuda a melhorar a qualidade de vida dos mais experientes

Exercitando a memória, os idosos melhoram a concentração e atenção. Foto – divulgação

A exemplo do corpo físico, o cérebro também precisa de exercícios para funcionar adequadamente.  Na busca de um envelhecimento saudável, exercitar a mente é tão importante quanto trabalhar os músculos do corpo. Por isso, o Sesc criou o projeto Oficina da Memória, que visa à melhoria da qualidade de vida dos participantes, fortalecendo a memória com exercícios apropriados, através das expressões corporais e verbais, raciocínio lógico, estimulação visual e leituras, estudo de vivências, dinâmicas de grupo com jogos, atividades e exercícios que estimulem o raciocínio, abordando os diferentes tipos de memória e das demais funções de aquisição de conhecimento, tão importantes para a qualidade de vida na melhor idade.

No Sesc Água Verde, em Curitiba, a Oficina da Memória é realizada às terças, quartas e quintas-feiras, das 14 às 15h30, e cada turma é composta de 20 alunos. Segundo a gerente executiva do Sesc Água Verde, Silmara Marques, a demanda é grande e a lista de espera para conseguir uma vaga nessa unidade de Curitiba é de 90 alunos.

A Oficina da Memória não tem qualquer custo para os participantes, mas o requisito principal é ter mais de 60 anos. A Oficina de Memória também é realizada nas unidades do Sesc de Campo Mourão, Cascavel, Cornélio Procópio, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Ivaiporã, Ponta Grossa, Santo Antônio da Platina, Toledo, Umuarama e Londrina.

Segundo Silmara, exercitando a memória, os idosos melhoraram a atenção e concentração, ganham agilidade mental, rapidez, adquirem o raciocínio lógico, ampliam o conhecimento e, com certeza aumentam a autoestima e o autoconhecimento.

Estudiosos afirmam que se a memória não for estimulada e exercitada, ela vai piorando com o passar dos anos. No caso dos idosos é importante preservar e estimular a agilidade mental, pois do contrário, os lapsos ou falhas se tornarão mais recorrentes, principalmente com o passar dos anos. Segundo a gerente do Sesc Água Verde, considerando a importância da memória para o desempenho das atividades do dia a dia, a Oficina da Memória vai despertar as potencialidades dos participantes, estimulando as funções cerebrais, além de exercitar a mente desenvolvendo o poder analítico, criativo e prático, abrindo caminho para descobertas pessoais.

Idosos paranaenses participam de dois congressos por ano

Idosos paranaenses participando do Congresso no Sesc Caiobá. Foto – Fecomércio/PR

Com a proposta de promover um grande encontro de idosos das mais diversas cidades do Paraná, o Sesc realiza desde 2012, o Congresso Paranaense do Idoso, que é um dos eventos mais tradicionais voltados ao público da melhor idade.

A gerente de Ação Social do Sesc Paraná, Elisangela Domingues, explica que o congresso cria um espaço de convivência, de interação e de novas experiências partilhadas. Esta atmosfera começa nas unidades do Sesc em todo o estado, no contexto do Trabalho Social com Idosos. “O Congresso Paranaense do Idoso é o momento de culminância de uma série de ações realizadas cotidianamente. A cada ano um novo tema permeia a programação”, destaca.

Atualmente são 27 unidades de Serviço que desenvolvem as atividades do evento. A cada edição, um número de pessoas é contemplado para participarem do evento, que ocorre num período de quatro dias no Sesc Foz do Iguaçu e no Centro de Turismo e Lazer Sesc Caiobá. Durante o Congresso uma média de 700 idosos participam de atividades, incluindo palestras, shows e espetáculos teatrais.

Até a oitava edição, o Congresso de Idosos era realizado apenas em Caiobá. Este ano, a cidade de Foz do Iguaçu foi incluída e, a partir de agora, no primeiro semestre de cada ano, o evento terá como sede o Sesc Foz do Iguaçu e no segundo semestre o palco será o Sesc Caiobá.

Dança é terapia e um despertar físico e emocional para os idosos

O baile do Sesc Água Verde reúne 120 idosos semanalmente. Foto – Arquivo Fecomércio

A dança não tem idade. No entanto, em certos momentos da vida, pode ser um verdadeiro despertar, tanto físico quanto emocional. Na terceira idade, a dança harmoniza diversas dimensões que, por si só, também favorecem o bem-estar nesta fase. Um estudo realizado na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington apontou grandes benefícios da dança para pessoas com Parkinson.

A dança também é considerada a ferramenta terapêutica ideal para idosos no sentido de reduzir a taxa de quedas; melhorar o andar, o ritmo, a velocidade e a flexibilidade; otimizar a força e o tônus ​​muscular; fortalecer os processos cognitivos, como a atenção e a memória, e elevar a autoestima. Isso sem considerar que a dança também ajuda a combater a depressão e libera o estresse.

A gerente executiva do Sesc Água Verde, Silmara Marques, também vê na dança uma opção de lazer para incentivar o idoso de casa, fazer novas amizades e até mesmo ter a oportunidade de conhecer um companheiro ou companheira.

Por todos esses motivos, o Sesc Água Verde vem promovendo há várias décadas bailes recreativos semanais. Todas às quartas-feiras, das 13h30 às 17h30, cerca de 120 idosos participam de bailes, que têm música ao vivo de bandas locais e com repertório que inclui bolero, valsa, xote, vanera, samba, entre outros estilos.

“Dos quatro ou cinco bailes que realizamos mensalmente, um é temático e varia de acordo com a festividade do mês. Em fevereiro, por exemplo, os idosos participam do baile de carnaval; em março, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o tema é o Baile Cor de Rosa, que também projeta ações da campanha de saúde em relação ao sexo feminino; em abril acontece o Baile de Páscoa; em maio é realizado o Baile do Desafio; em junho tem o Baile Junino; em julho o Baile Xadrez, onde todos vestem roupas com xadrez; em agosto o tema é Azul e Branco visando chamar atenção para a saúde do homem; setembro é a vez do Baile Verde e Amarelo para comemorar a Semana da Pátria; em outubro tem o Baile Rosa em alusão ao Outubro Rosa; novembro é o mês do Baile à Fantasia e na primeira semana de dezembro é realizado o último baile do ano, com o tema vermelho e branco para comemorar o Natal”, explica Silmara.

Enfim, agenda cheia o ano todo, com muita diversão e preços convidativos: trabalhadores do comércio e dependentes pagam R$ 7 e para o público em geral o valor é R$ 9.

No mês de novembro, os idosos participam do Baile à fantasia. Foto – Fecomércio.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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