Quem ganha e quem perde com a queda do preço do petróleo

China e Estados Unidos — Os dois países devem ser as principais beneficiadas nessa guerra de preços pelos barril do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita. “Esse cenário beneficia os Estados Unidos”, diz Gunther Rudzit, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios do Oriente Médio da ESPM São Paulo.
“Para o presidente Donald Trump, em ano eleitoral, a queda no preço do petróleo é muito conveniente, uma vez que lá os preços das bombas acompanham rapidamente a queda do valor do barril”, destaca o coordenador da ESPM.
A China importa cerca de 80% do petróleo que consome. “O preço do barril nesse valor é favorável ao gigante asiático”, afirma Rudzit. “A queda no preço ajuda a reaquecer a economia enfraquecida nos últimos meses após a epidemia de coronavírus.”
Quem perde é o Brasil
A Petrobras tem grandes perdas com um barril negociado a cerca de 36dólares, pois o custo de produção no pré-sal é elevado. “A empresa não revela o custo do barril de petróleo produzido a partir das nossas reservas do pré-sal, mas sabe-se que não é baixo”, diz o professor. A Arábia Saudita, por sua vez, produz o barril a 2 dólares, com o blended de melhor qualidade no mundo. “Hoje não há racionalidade no mercado. Está tudo overshooting. Ainda não dá para saber por quanto tempo vai essa queda de braço. Putin não é de voltar atrás, então não sabemos até onde eles irão chegar”, diz Rudzit.
Irã — O país está sob embargo americano e exporta muito pouco do petróleo produzido. “Com os preços despencando, o atual governo do Irã vai enfrentar dificuldades para fechar as contas. Mais um motivo que alegra os Estados Unidos e a Arábia Saudita”, afirma Rudzit. Além do problema interno da epidemia de COVID-19, agora o Irã sofre a pressão da queda brusca do barril de petróleo, gerando efeito cascata na economia do país.
Rússia — Os russos terão problemas financeiros no médio prazo. Dificilmente, conseguirão segurar as vendas de petróleo num preço tão baixo. “Tanto a Rússia quanto o Irã terão dificuldades de continuar apoiando o ditador sírio Bashar Al Assad se essa pressão continuar por alguns meses. E isso pode gerar um recrudescimento dos conflitos internos na Síria”, diz Rudzit.
As razões da queda de braço entre a Rússia e Arábia Saudita
A Arábia Saudita derrubou o preço do barril de petróleo para prejudicar a Rússia. Os sauditas queriam baixar a produção de petróleo, reduzir a oferta e, assim, segurar os preços internacionais do produto. O presidente russo, Vladimir Putin, não aceitou. Mesmo não fazendo parte da Opep, a Organização dos Países Produtores de Petróleo, a Rússia vinha seguindo suas determinações nos últimos três anos.








