6,6 milhões de pedidos de seguro desemprego nos EUA ampliam onda de incertezas

As solicitações de seguro-desemprego nos Estados Unidos atingiram novo pico histórico neste início do mês de abril: 6,6 milhões de trabalhadores americanos pediram o auxílio do governo, de acordo com o Departamento do Trabalho. O volume é o dobro da semana passada, quando foram registrados 3,3 milhões de solicitações.
No total, quase 10 milhões de trabalhadores aderiram ao seguro-desemprego na última quinzena. “Está claro que o primeiro pacote de 2 trilhões de dólares não foi suficiente para brecar o estrago da pandemia na economia dos Estados Unidos”, diz Leonardo Trevisan, economista e professor de Relações Internacionais da ESPM SP. “Tanto é que ontem o governo anunciou mais US$ 2 trilhões, destinados exclusivamente para a infraestrutura. Mas todo esse dinheiro pode não ser suficiente para frear a maior queda do PIB americano em décadas.”
O economista sustenta que a infraestrutura tem peso no PIB americano, por isso foi escolhida como a segunda cartada de Trump para brecar a queda da atividade econômica. “O mercado imobiliário no país é muito ativo e a mão-de-obra americana tem grande mobilidade interna. Porém, a infraestrutura de forma mais ampla – portos, aeroportos, rodovias e ferrovias – está defasada na comparação com outros países desenvolvidos da Europa e da Ásia. As últimas grandes obras públicas nacionais foram no New Deal”, afirma Leonardo Trevisan.
O momento de incertezas também levanta o debate dos limites da intervenção do Estado na economia, tema que é tabu no país. “Como o setor privado é hegemônico na composição do PIB local, há uma resistência grande dos atores econômicos com o planejamento e execução de ações estatais mais amplas. Mas esse cenário singular que se desenha pode ampliar as pressões por um New Deal repaginado ainda em 2020.”








