Proprietários de bares, restaurantes, cafeterias e casas noturnas de Curitiba são contra reabertura precoce do comércio

Proprietários de bares, restaurantes, cafeterias e casas noturnas de Curitiba são contra reabertura precoce do comércio

Esta semana, entidades representativas e órgãos do governo se posicionaram a favor de flexibilizar o isolamento social e pediram a reabertura dos comércio. Nesta quinta-feira (16),  proprietários de de bares, restaurantes e casas noturnas que são contra a reabertura antecipada começaram a articular um movimento. Os empresários entendem que é preciso preservar o maior número de vidas e que não há medida segura para atendimento presencial, que não seja o delivery e retirada nos balcões.

Ainda segundo os empresários,  a decisão de fechar seus estabelecimentos foi tomada de maneira autônoma, mas demanda que essa seja uma decisão coletiva para que se possa atingir os níveis de isolamento social recomendados e também ganhar força para exigir, coletivamente, o socorro financeiro que tanto precisam.

A carta foi formulada nesta quinta-feira e possuí dezenas de signatários, apesar do pouco tempo da mobilização. “A carta representa o nosso posicionamento público e as decisões que precisamos que sejam tomadas. Queremos permanecer fechados até quando for uma recomendação de saúde para salvar o maior número de vidas. Mais importante que é economia, são as vidas que nunca mais podem ser recuperadas. Demandamos medidas sanitárias claras e também o socorro financeiro para bancar essa decisão tão necessária nesse momento. Queremos salvar vidas”.

Confira a carta na íntegra:

Nós, proprietários de bares, restaurantes, cafeterias e casas noturnas de Curitiba, solicitamos por meio desta carta que autoridades municipais e estaduais apresentem medidas mais enérgicas, essenciais e preventivas para mitigar os efeitos da Covid-19, bem como ações em relação à sobrevivência do setor da gastronomia curitibana durante e após a pandemia.

Estamos fechados. E permaneceremos enquanto for necessário. No entanto, pronunciamentos conflitantes entre governos, prefeitura e sindicatos patronais têm dificultado a clareza desta decisão, tornando-a cada dia mais difícil. Do lado de governo e prefeitura, cada instituição se pronuncia de uma forma e dá um entendimento de medidas. Do lado dos sindicatos patronais, alguns pedem a reabertura e outros, o fechamento.

A decisão de reabertura do comércio ignora, sob ponto de vista técnico, a proteção da população, dando vez à influência de forças econômicas e políticas, quando a prioridade deveria ser unicamente a saúde pública.

O iminente avanço do Coronavírus no país, a projeção pessimista para o número de mortes e o descaso com a importância do isolamento social provam a necessidade disso. E, quando aqueles que nos representam em qualquer esfera dão de ombros, cabe à sociedade civil agir.

Aos fatos:

  • 16 de março: o Governador do Paraná, por meio de decreto 4.318/20, determinou o fechamento de comércios em todo o estado;
  • 23 de março: o Governador mantém recomendação de que comércio não abra suas portas;
  • 26 de março: o Governo mantém ordem de isolamento doméstico;
  • 27 de março: o Prefeito de Curitiba manifesta publicamente a necessidade do isolamento social para evitar mortes;
  • 7 de abril: a Prefeitura de Curitiba e Governo do Estado decidem manter o isolamento social como recomendação prioritária;
  • 9 de abril: o Ministério Público suspende convite de ACP para reabertura dos comércios;
  • 15 de abril: o Prefeito de Curitiba nega que Prefeitura sugeriu fechamento do comércio e cita que setor atuou por “modismo”.

Ignorando o histórico recente e recomendações da OMS, a Prefeitura de Curitiba, a Associação Comercial do Paraná e o SindiAbrabar pretendem reabrir os comércios na próxima sexta-feira, 17 de abril. Sem nenhuma evidência de que o distanciamento social deva ser abandonado, o que pauta a decisão de reabrir comércios?

Diferentemente do que os órgãos acima citados indicam para a próxima sexta-feira, seguiremos fechados. Fechados contra os “modismos” das decisões públicas permeadas por lobbies empresariais. Fechados com a vida de milhares de pessoas. E só reabriremos quando os 6 itens para “flexibilização da quarentena”, recomendados pela OMS, forem minimamente atendidos pelo Município.

Ressaltamos que esta decisão conjunta é permeada por dados – e que especulações, opiniões pessoais e teorias negacionistas não irão sobrepor estudos científicos. A reabertura precoce e a consequente elevação de contágios resultarão em um novo fechamento de portas. E novos prejuízos serão contabilizados: perda do poder de negociação com fornecedores e/ou locatários, desgaste nas relações de trabalho já estabelecidas, problemas com aquisição e validade de estoque, entre outros.

Conscientes de que perdas financeiras acontecerão, mas que vidas jamais podem ser tratadas como moeda de negócio, seguiremos fechados – também em consideração a todo o esforço realizado até aqui para que a curva de contágio seguisse minimamente controlada.

Além de nos mantermos fiéis às recomendações do Ministério da Saúde e da OMS, requisitamos às entidades competentes que assumam sua responsabilidade neste momento e nos posicionem sobre pautas e medidas que, de fato, fortaleçam os comerciantes do Estado, sem expor a vida de milhares de pessoas ou deixar negócios por sua própria conta e risco em um momento tão delicado. Entre elas:

  • Abertura de discussão com a comunidade com participação deste grupo que vos escreve;
  • Apresentação de medidas econômicas em prol do setor de Bares e Restaurantes de Curitiba enquanto a Covid-19 estiver, pelo menos, na sua fase aguda;
  • Atuação e/ou regulação junto aos APPs de delivery que monopolizam o mercado e retiram 20% de margem na operação, o que, em grande parte, inviabiliza o negócio, favorecendo a atuação de inúmeros negócios que atuam nas plataformas sem se enquadrar em regimes tributários – canibalizando o mercado formal –, além de medidas claras para a segurança dos entregadores;
  • Proposta para renegociação das contas de água e luz;
  • Apoio e agilidade na disponibilização de crédito via CEF e Fomento PR;
  • Proposta não apenas de postergação de pagamentos de impostos, mas redução deles;
  • Coerência nas orientações do poder público nos âmbitos estadual e municipal. Se a principal estratégia de contenção da Covid-19 adotada no Brasil é o distanciamento social, é fundamental que salões de restaurantes e bares permaneçam fechados e que sejamos orientados semanalmente sobre os próximos passos;
  • Medidas de conscientização junto aos locadores de pontos comerciais sobre a necessidade de renegociação e carência de aluguéis.

Curitiba, 16 de abril de 2020.

Andrew Guilherme Pereira dos Santos – Ananã Coquetéis

Karin Louise Kaudy – Ananã Coquetéis

Thiago Gabardo – Polpettas – Pizzas e Cozinha Italiana

Leonardo Z. Gabardo – Polpettas – Pizzas e Cozinha Italiana

Janaina Santos – Cosmos G/astrobar

Ricardo Saad – Cosmos G/astrobar

Bruno Milek – Jazz Café

Ênio Guilherme Motta – Jazz Café

Lívia Farah – A Caiçara

Fredy Ferreira – A Caiçara

Flávia Pizzani Prieto – Paradis Club

Edson Luis de Oliveira – Paradis Club

Isabelle Todt – Paradis Club

Luiz Melo – Supernova Coffee

Renata Schaitza – Mornings

Daphne Kondo – Yada Yada Yada e Nada Nada Nada

Alyssa Aquino – Yada Yada Yada e Nada Nada Nada

Daniele Giovanelli Jorge – Desafinado Café

Rafael Andrade Suzuki – Manifesto Café

Fabiola Jungles – Flama Torras Especiais

Daniel Mocellin – Whatafuck e Pizzaria da Mathilda

Ana Priscila de Mello Raduy – James Bar

Luciano Franco Geraldo – James Bar

Patricia Bandeira – Botanique Cafe Bar e Plantas

Juliana Girardi – Botanique Café Bar e Plantas

Patricia Belz – Botanique Café Bar e Plantas

Ieda Godoy – Mãe e Mafalda

Pedro Vieira – Ginger Bar

Milena Costa de Souza – Ginger Bar

José Carlos Gomes dos Santos – VU e PULP

Marcio Reineken – VU e PULP

Amanda Kosinski – Central do Abacaxi

Keiji Mitsunari – Izakaya Hyotan

Caroline Ferreira – Veg Veg

Karla Keiko – Oidē

Willian Massami Igi – Oidē

Maria Fernanda Marcuz de Souza Campos – Viva la vegan

Renan Toledo Sandalo – Viva la Vegan

Marcela Dudalski – Paprica Vegan

Carolina Ferreira – Veg e Veg

Ermelino Veríssimo – Sem Culpa

Maurício Kuwer – Sem Culpa

  

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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