Com bares e restaurantes fechados, cervejarias artesanais buscam novos canais de comercialização
O fechamento de bares e restaurantes em meio às medidas de isolamento social devido a pandemia do novo coronavírus vem afetando a venda de bebidas em geral, mas com reflexos maiores no setor de cervejas artesanais. É que este segmento tinha mais de 50% das suas vendas voltadas para o mercado de on trade, representado por bares, restaurantes, casas noturnas, cafés, clubes e hotéis. Diante da queda expressiva do faturamento, as cervejarias artesanais tiveram que intensificar o trabalho de comercialização através do canal off trade, que inclui pontos de venda como, hipermercados, supermercados, minimercados, quiosques, mercearias e lojas de varejo no geral.
Eu conversei com o CEO da cervejaria paranaense Maniacs, Iron Mendes (foto), e ele me disse que para este ano a projeção da empresa era aumentar o faturamento em 80%. E esses porcentuais se confirmaram nos dois primeiros meses de 2020. Porém, com a pandemia, e a mudança na forma de comprar cervejas, a Maniacs teve que se readequar.
Autosserviço
Iron Mendes me contou que a cervejaria paranaense desde que foi criada, já tinha como foco o autosserviço, com 55% dos seus produtos distribuídos em super e hipermercados e 45% em bares e restaurantes. Com a quarentena, as pessoas passaram a comprar mais produtos essenciais e os supermercados diminuíram seus espaços para bebidas e as cervejas perderam lugar nas gôndolas.
A alternativa da Maniacs, que produz mais de 20 tipos de cervejas foi ampliar o diálogo com o consumidor por meio de canais digitais da marca e intensificar as ferramentas de merchandising e promotoria nos estabelecimentos onde está presente. O executivo entende que este é o momento para acelerar a capilaridade dos pontos de venda, investir em presença de gôndolas e nas informações disponíveis ao consumidor.
Produção reduzida
Com os bares e restaurantes fechados, a Maniacs reduziu sua produção em 50%. Mendes me contou que dos 40 funcionários, 37 foram mantidos, mas não pretende fazer demissões daqui para frente. No entanto, o executivo se queixa da dificuldade ao acesso a linhas de crédito. Sem recursos de bancos, a cervejaria vem fazendo renegociações de prazos e de valores com os fornecedores.
Apesar dos problemas de comercialização decorrentes da Covid-19, a cervejaria artesanal paranaense espera fechar o ano com faturamento positivo.


