Decreto de Trump contra empresas chinesas pode afetar economia global

Decreto de Trump contra empresas chinesas pode afetar economia global

Faltando três meses para a eleição presidencial dos Estados Unidos, que será realizada no dia 3 de novembro, o presidente americano Donald Trump assinou um decreto na última quinta-feira (6) proibindo por 45 dias qualquer tipo de transação feita pelo aplicativo ByteDance, pertencente a famosa rede chinesa de tecnologia TikTok, no país.

A ação surgiu após o mesmo alegar que a companhia estaria coletando dados pessoais de americanos para compartilhá-los com o governo. Além disso, o governante também assinou um decreto contra a plataforma WeChat, do grupo chinês Tencent, que atualmente é o maior aplicativo de troca de mensagens instantâneas e transações eletrônicas para dispositivos móveis da China. O governo asiático respondeu as medidas dizendo serem uma “manipulação e repressão política”, por outro lado, as empresas afetadas afirmaram que tomariam medidas contra tais ações.

Protecionismo

Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, a situação é mais ou menos como os americanos fazem com as importações agrícolas de países emergentes, em que alegam risco de pragas para sobretaxar os produtos. “O nome disso é protecionismo, um liberalismo de 8º categoria feito às vésperas das eleições americanas com o objetivo de gerar populismo”, destaca

Silveira lembra que no Brasil, como o foco são os produtos primários, quando o mercado internacional de commodities caia, tínhamos que taxar as importações para sobreviver. No entanto, não fomos um país protecionista por que escolhemos, mas por que não tínhamos escolha. “Entretanto, quando os Estados Unidos faz isso, pode causar um impacto no comércio global, já que atualmente todas as empresas estão inseridas dentro do que chamamos de cadeia global de suprimentos. Todo processo é globalizado, e cada país tem um pedaço da fabricação. Do ponto de vista do comércio internacional, a melhor forma de fazer a economia crescer é acabar com as restrições ao exterior”, explica.

Reação

Silveira completa que quando vemos uma ação dessas, a reação do mercado é simples, quem tem negócio com a China vai se prejudicar, sendo que os EUA é o país com maior dependência. As empresas gigantes americanas se beneficiaram do crescimento chinês, barateando sua força de trabalho. Elas simplesmente transferiram a etapa braçal da fabricação para a China, tornando os produtos muito mais baratos e competitivos no mercado. Desta forma, os Estados Unidos se manteve como uma potência industrial, mesmo sem ter indústrias de verdade em seu território.

“Portanto, quando Trump adota uma prática mais protecionista, ele acaba sinalizando para o mercado que as suas próprias empresas podem sofrer uma mudança na curva de custos. Assim, tendo que produzir com custos mais elevados, os lucros vão cair, os dividendos vão cair e a taxa de crescimento vai cair. No final, o grande risco dos próximos meses para as bolsas internacionais é a eleição americana. O presidente vai tentar correr atrás do prejuízo fazendo o que ele sabe fazer: brigar”, afirma.

Mercado deve oscilar

Segundo Daniela Casabona, sócia-diretora da FB Wealth, a medida tomada contra as empresas chinesas está sendo muito cotada, principalmente por parte das organizações americanas, e pode trazer uma oscilação no mercado se aplicativo for realmente banido dos EUA. Contudo, essa questão tem um teor bem mais político por trás.

“Acredito que esse movimento mostra que o Trump está se fechando e tentando fortalecer a economia americana. Se o movimento for eficaz, e sabemos que ele tem apoio de outros países como, por exemplo, a Inglaterra que está proibindo o 5G do celular chinês, ele pode ganhar uma boa relevância para as eleições, ainda mais considerando isso em um país muito nacionalista como o deles”, enfatiza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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