Empresas retomam projetos de abertura de capital

Empresas retomam projetos de abertura de capital

O ano de 2020 prometia ser um período muito próspero para a abertura de capital de empresas. Aliás, muitas companhias já vinham se preparando para fazer a oferta pública de ações, quando a pandemia chegou em março. Das 18 empresas que estavam prontas para vender suas ações na Bolsa de Valores, 16 optaram por adiar o processo de IPO.

Porém, com a queda das taxas de juros, os investidores resolveram trocar as aplicações de renda fixa pela renda variável. A entrada de novos investidores na Bolsa e a perspectiva de que os juros continuarão baixos, voltou a reaquecer o mercado de IPO.

Lista de mais de 40 empresas

Só para se ter uma ideia, mais de 40 empresas estão na lista de abertura de capital entre setembro e outubro. Essa semana, o grupo paranaense Nissei, que tem 300 farmácias em 76 cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, pediu registro para realizar uma oferta pública inicial de ações. Os recursos da venda de ações serão usados para crescimento orgânico, aquisições de rivais menores, resgate de debêntures e para otimizar a estrutura de capital.

Também a Havan, que tem uma rede de 147 lojas, anunciou que pretende captar entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões com a emissão de ações. Ainda no Sul, a incorporadora CFL pediu registro para uma oferta inicial de ações. De acordo com a companhia gaúcha, a operação captará recursos para comprar terrenos e pagar despesas de construção e administrativas, quanto para um de seus sócios vender participação no negócio.

Criada em 1993 e focada nos segmentos de média alta e alta renda, a CFL, que tem sede em Porto Alegre, possui R$ 2,6 bilhões em terrenos para desenvolver projetos. Ela também desenvolve empreendimentos comerciais e corporativos. Além da capital gaúcha, a CFL atua em Florianópolis (SC) e Caxias do Sul (RS). A empresa também planeja expandir para Curitiba (PR).

Projetos no Sul

Eu conversei com o sócio da PwC Brasil, Carlos Peres (foto), e ele me disse que, só na Região Sul, a PwC está fazendo cinco projetos de abertura de capital. O executivo não pode citar o nome das empresas, mas me adiantou que duas são do setor do comércio eletrônico, duas pertencem ao varejo e uma empresa atua no segmento de educação.

Eu perguntei ao sócio da PwC sobre quais são as principais vantagens da abertura de capital, nesse momento, e ele me explicou que com a pandemia as empresas precisam se capitalizar, e o IPO se torna mais interessante do que um crédito privado. Outra vantagem é que no caso de empresas familiares, a abertura de capital, além de resolver os problemas de sucessão, deixa a companhia mais líquida. E com o dólar caro, o preço das ações ficam mais baratas, atraindo o investidor estrangeiro.

Divisor de águas

Para as empresas que têm interesse em abrir seu capital, Carlos Peres alerta que esse não é um processo simples e demora entre 10 e 12 meses para se materializar. Uma oferta pública inicial de ações é também um evento de mudança para qualquer organização. Receber novos sócios via mercado é um “divisor de águas” para a gestão e a cultura corporativas.

Então, a organização deve estar pronta também para o “dia seguinte” ao lançamento dos papeis. Ela terá de atender às novas exigências que recaem sobre uma empresa de capital aberto, o que pode demandar um novo conjunto de habilidades por parte dos administradores e empregados, além de controles adicionais e de transformações no negócio.

“Planejar com antecedência como serão cumpridos esses requisitos é essencial para ter sucesso no lançamento das ações e para reduzir problemas inesperados pós-IPO”, afirma Peres.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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