Setor têxtil está preocupado com a competição da ásia
A competição no mercado internacional e a garantia de fornecimento de algodão no País são as duas principais preocupações da indústria têxtil que surgiram nesta quinta-feira (24) na reunião do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), realizado no Cietep, em Curitiba. Com uma balança comercial crescentemente deficitária, o setor tem se articulado para defender o mercado interno. Ao mesmo tempo, terá de enfrentar nos próximos meses uma escassez de algodão que deve elevar os custos de produção no País.
Segundo o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, a balança comercial brasileira no setor saiu de um superávit em 2004 para um déficit de US$ 3,5 bilhões até agora em 2010. A entrada de importados vem sendo bem absorvida porque o mercado interno está crescendo, mas o cenário vai ficar mais complicado se o aumento da renda desacelerar nos próximos anos, adverte.
A entrada de produtos importados ocorre em um momento em que há pressões para que a China, maior produtor mundial de confecções do mundo, seja reconhecida como uma economia de mercado. Além disso, há quem defenda no governo a redução das tarifas de importação para países pobres, como Bangladesh, que têm foco na exportação de têxteis.
O deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB), que coordena a Frente Parlamentar da Indústria Têxtil, comentou durante a reunião que o tema da competição com os produtores asiáticos, em especial com a China, passará pelo Congresso nos próximos anos. O setor precisa estar bem organizado para ser ouvido quando for discutido o reconhecimento da China como economia de mercado, por exemploâ€, disse.
A preocupação com a competição asiática vem em um cenário econômico complicado, apresentado pelo economista Fábio Silveira, da RC Consultores. Ele explicou que a perspectiva de crescimento nas economias desenvolvidas é nebuloso até 2012, o que forçará os países de rápida expansão, como China e ándia, a procurar outros mercados para direcionar suas exportações. Além disso, a tendência de médio prazo é de desaceleração na China, o que vai fazer com que seu governo procure alternativas para que ela não seja acentuadaâ€, disse Silveira.
Além da competição, a indústria se preocupa com o fornecimento de algodão nos próximos meses. Números apresentados na reunião mostram que podem faltar de 100 mil a 200 mil toneladas de fibras entre janeiro e junho de 2011, por causa da baixa produção global no último ciclo. O problema é agravado pelo fato de 600 mil toneladas da safra brasileira, que começa a ser colhida, estarem negociadas com tradings, que preferem exportar. No início do próximo mês, representantes do setor devem se reunir para estudar soluções á possível falta de algodão.








