Economistas e a presidência do Ipardes

Em recente incursão nas mídias digitais, o Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR) manifestou posição contrária à nomeação de um profissional não economista para a presidência do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), organismo fundado em junho de 1973, ainda nas dependências do Banco de Desenvolvimento do Paraná (BADEP), e dedicado fundamentalmente ao assessoramento das atividades empreendidas pela Secretaria de Planejamento do governo estadual.

A despeito de legítima, a defesa corporativa daquela respeitável entidade de representação de classe parece equivocada. De fato, não há, nos estatutos da instituição de pesquisa, qualquer menção quanto à obrigatoriedade de um Economista vir a ocupar o posto máximo voltado à coordenação dos trabalhos de produção de elementos úteis a uma melhor compreensão da realidade socioeconômica paranaense e feitura de escolhas estratégicas dos agentes sociais regionais.

Ademais, considerando a enorme abrangência de atuação do IPARDES, que abarca múltiplos campos ligados à dinâmica econômica, social e ambiental do Estado, soa absolutamente compreensível o protagonismo das investigações ser exercido por entes de distintas formações acadêmicas, que sejam preferencialmente dotados de estoque e fluxos de conhecimentos multidisciplinares, com reforço de vasta experiência acumulada.

Por uma perspectiva histórica, cumpre reconhecer a excelência imprimida na condução das ações do organismo de pesquisa por extraordinários Economistas, começando por seu criador, o professor Francisco Magalhães, que, dentre outros méritos, assumiu a tarefa de preparação de futuros experts na construção, percepção e interpretação das profundas modificações que viriam a acontecer no perfil econômico e tecido social estadual, em linha com as mutações verificadas no plano global e nacional.

No entanto, paradoxalmente, nos estágios marcados por maior impulsão e diversificação dos esforços científicos, voltados à formulação de estudos avaliativos e propositivos, aderentes às demandas de intervenção pública para otimização de oportunidades e reversão ou até anulação de cenários indesejáveis para a comunidade local, particularmente entre 1975 e 1978 e 1980 e 1982, a entidade foi comandada por um Administrador e um Advogado, respectivamente.

Mesmo em ambiente de autoritarismo político, subjacente à ditadura militar, aqueles atores demonstraram enorme capacidade de mobilização e aglutinação do corpo técnico do Ipardes na direção da realização de inúmeros inquéritos e relatórios de apoio à definição das políticas governamentais, elaboração de projetos privados e organização e explicitação de posturas de diversos segmentos da sociedade civil.

Portanto, em vez da preocupação com a gênese educacional do mandatário da principal da instância de pesquisa paranaense, o Corecon-PR deveria perseguir o resgate da função de caixa de ressonância da sociedade local, executada com maestria principalmente nas décadas de 1990 e, em menor medida, de 2000.

Nas circunstâncias atuais, o Conselho deveria se despojar dos ranços e costumes de exageradas e desnecessárias exposições pontuais, essencialmente de conteúdo varejista e desprovidas de exigências de profundidade de pensamento, cujo espaço poderia ocupado, de maneira mais adequada, por exemplo, pelos experts em finanças pessoais e perícia.

Urge empenho de maior envergadura e fôlego voltado essencialmente à discussão dos elementos integrantes do atacado nas intrincadas relações econômicas. Só a título de ilustração, os paranaenses carecem de respostas acerca da reprodução regional da dimensão recessiva do novo Coronavírus; dos efeitos das providências mitigadoras, engendradas no Congresso Nacional, e adotadas de forma populista pelo executivo federal; dos desdobramentos da forte deterioração das finanças públicas; e da análise de viabilidade de sustentação fiscal da provável troca, em bases ampliadas, do programa Bolsa Família pela Renda Cidadã.

Em idêntica linha, figura a descoberto a apreciação das consequências da interferência da possível chegada de uma 2ª onda de Covid-19 em território nacional e da brusca alteração do clima político nos Estados Unidos, com a derrota eleitoral do extremismo de direita, na incipiente retomada dos níveis de produção e transações no país.

Sem contar a premência de sistematização do debate da agenda de reformas estruturais, imprescindíveis à devolução da funcionalidade do estado brasileiro, em suas três esferas (União, Estados e Municípios), e à restauração da eficiência microeconômica, acrescidas da adoção de políticas industriais contemporâneas, focadas na recuperação da competitividade sistêmica do parque fabril operante por aqui.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é  economista e  ex-presidente do Ipardes.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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