Níveis de interatividade da TV Digital são tímidos
A TV Digital lançada em 2 de dezembro de 2007, em São Paulo, e em 22 de outubro de 2008, em Curitiba, pelo Ministro das Comunicações Hélio Costa, apresenta níveis tímidos de interatividade. As estimativas no primeiro ano de implantação projetam que o número total de espectadores não deve superar 645 mil (cerca de 0,3% da população do país). Este número pode ser menor ainda, já que as expectativas não levaram em conta os efeitos da crise financeira no consumidor. Os aspectos que mais dificultam esta consolidação são o preço dos equipamentos e a interatividade.
Segundo o analista de sistemas e consultor da ESAT, Vinícius Paluch, os valores dos aparelhos tendem a diminuir conforme as pessoas forem comprando. Todo produto tem um ciclo de vida. Assim que a TV Digital for se popularizando, a tendência é que os preços caiamâ€, destaca. Ele afirma que o processo de interatividade é bem mais complexo e longo. Nós estamos ainda na infá¢ncia da TV Digital. Neste primeiro momento a meta é criar a infraestrutura de comunicação necessária para a transmissão do sinal digital. No futuro, evoluiremos para a interatividade pessoal e, em seguida, para a interatividade social, onde múltiplos indivíduos poderão interagir simultaneamente através de conexões da Internetâ€, analisa.
Paluch ressalta que as ferramentas que irão criar este conteúdo diferenciado ainda não estão prontas e que as perspectivas apontam 2014 como data provável para as primeiras experiências práticas desses programas. Este cenário cria um mercado potencial muito promissor para empresas de Tecnologia da Informação (TI) que desejarem se preparar para a criação de campanhas interativas, jogos e aplicações de inclusão socialâ€, comenta.
O consultor da ESAT afirma que o retorno da informação é outro elemento que deve ser considerado. O sistema brasileiro de TV Digital terrestre (SBTVD-T) é um modelo de recepção de via única, ou seja, não há previsão de retorno da informação. Neste caso os Set Top Boxes (que transmitem os dados) precisam evoluir para uma segunda ou terceira geração onde, possivelmente, estarão conectados também á internet, seja via cabo ou wirelessâ€, revela.
Confira o horizonte da interatividade na TV Digital para os próximos 10 anos apontado pelo analista de sistemas e consultor em CRM, Portais Corporativos e Mobilidade da ESAT, Vinícius Paluch:
Cenário 1
Enquanto assiste a uma novela, a telespectadora verá um objeto em destaque, ao clicar sobre ele utilizando seu controle remoto irá obter dados complementares como preço, descrição e até um vídeo promocional do produto no canto da tela.
Cenário 2
Uma criança está assistindo a um programa infantil educativo. Em um determinado momento, um jogo de palavras é aberto, ele tem sons, imagens vibrantes e animações que atraem sua atenção, nele a criança poderá selecionar a resposta correta simplesmente tocando na tela, que é sensível ao toque.
Cenário 3
Em um debate com o prefeito, este apresenta algumas propostas de investimento através do programa de orçamento participativo. O cidadão escolhe a ordem de prioridade dos investimentos entre as 3 opções disponíveis. A resposta é enviada via Internet através de uma rede metropolitana sem fio. Cada votante é validado de forma segura através do seu cartão e CPF.
Sob a ótica da indústria, estes cenários irão promover a integração de profissionais de design e programadores á s equipes de produção de conteúdo televisivo. Com um enorme potencial de crescimento, podemos certamente prever milhares de novos empregos e oportunidades para este mercado dentro dos próximos 5 a 10 anos.
Porém, as dificuldades ainda são muitas. A programação interativa deve ser acessível aos públicos das mais diversas condições sociais, culturais e etárias. Interfaces precisaram ser construídas com base na experiência dos jogos eletrônicos para que sejam simples, intuitivas e diná¢micas.
Até o momento, uma parcela muito pequena dos países com suporte a TV digital possui algum tipo de programação interativa. Entre as influências negativas para sua adoção podemos citar as barreiras culturais e a dificuldade para criação de softwares acessíveis a toda a população, a baixa capacidade de processamento das SetTop Boxes atuais, as deficiências da comunicação via Internet, bem como sua disponibilidade e o desconhecimento e acomodação dos produtores de TV quanto ao enorme potencial da TV Digital.








