Consumo de bens não duráveis cresce apesar da crise
A crise econômica mundial não derrubou o consumo de bens não duráveis no mercado brasileiro no último trimestre do ano. Ao contrário, o volume de compras das famílias para as cestas de alimentos, bebidas, higiene pessoal e produtos de limpeza registrou crescimento de 11% de outubro a dezembro frente ao trimestre imediatamente anterior.
Os dados constam de estudo da LatinPanel, maior instituto de pesquisa de consumo domiciliar da América Latina, que capta semanalmente os dados de consumo em 8,2 mil domicílios brasileiros. A amostra, que avalia a performance de 70 categorias de produtos, representa 91% do potencial de consumo domiciliar do país.
Todas as cestas analisadas no comparativo entre o quarto e o terceiro trimestre de 2008 obtiveram performance positiva, contrariando as expectativas de redução de consumo diante da crise. O destaque ficou para a cesta de bebidas, que registrou um aumento de 17% em volume consumido, bem acima da média dos demais produtos, em parte influenciada pela sazonalidade das festas de final de ano. A cesta de limpeza cresceu 9%, a de higiene, 8%, e o consumo de alimentos evolui 7%.
Na avaliação da diretora comercial da LatinPanel, Christine Pereira, o consumidor freou os gastos com bens mais caros e destinou recursos para bens de consumo não duráveis. Ou seja, o brasileiro destinou recursos para abastecer melhor a despensa e a geladeira em detrimento do consumo de outros itens. Com este movimento, o último trimestre de 2008 respondeu por 28% das vendas das cestas pesquisadas em 2008. Em 2007, o último trimestre respondeu por 26% do resultado anual dos produtos avaliados do ano.
No consolidado, entretanto, a expansão do consumo foi menor em 2008 do que em 2007. No ano passado o volume comprado das cestas de alimentos, bebidas, higiene pessoal e limpeza cresceu 2% frente a 2007. Em 2007, frente a 2006, a expansão havia alcançado o patamar de 4%.
Essa queda de dois pontos percentuais no nível de crescimento de consumo anual é reflexo direto do aumento do preço médio dos produtos. Enquanto no comparativo entre 2007 e 2006, o preço médio das cestas e categorias analisadas avançou 5%, entre 2008 e 2007, o índice subiu 8%.
Em 2008 as classes A/B e D/E foram destaque no consumo brasileiro. Os dois estratos registraram um aumento de volume de consumo da ordem de 3%, porém a Classe DE tem maior vulnerabilidade. Já a classe C, motor do consumo em 2007, perdeu fôlego. Em 2007, este segmento da população havia registrado expansão de 6% no volume de compras das cestas analisadas pela LatinPanel. Em 2008, as famílias de classe média ampliaram em apenas 1% o volume de compras.
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