Para CNI, forte queda do PIB expõe ameaça de recessão
A queda de 3,6% do PIB no último trimestre de 2008, divulgada nesta terça-feira (10) pelo IBGE, explicita a intensidade dos impactos da crise econômica global sobre a economia brasileira e a urência de se implementar medidas de combate a seus efeitos, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto.
A conjugação de inédita crise de crédito, a retração do comércio internacional, as perspectivas de prolongada recessão mundial e forte reversão de expectativas causaram a abrupta inflexão na trajetória de crescimento do PIB nacional, lembrou Monteiro Neto. A retração de 3,6% (no dado ajustado sazonalmente, em comparação ao terceiro trimestre) é a maior da nova série histórica, disponível desde 1996.
O setor industrial foi duramente afetado, com queda de 7,4% na comparação com o terceiro trimestre, após o ajuste sazonal. As dificuldades com o crédito e com as exportações levaram á suspensão parcial da produção em segmentos importantes da indústria, com reflexos nas cadeias produtivas e nas expectativasâ€, explicou o presidente da CNI. O recuo é tão expressivo, ressaltou Monteiro Neto, que a variação frente ao mesmo trimestre de 2007 ficou negativa em 2,1% – quando o ritmo anterior (até setembro) encontrava-se próximo a 6% ao ano.
Do lado da demanda, o investimento foi mais duramente afetado, com recuo de 9,8% frente ao trimestre anterior. O consumo das famílias  também registrou queda expressiva (-2,0%), principalmente considerando-se que o rendimento das famílias não foi alterado. São reflexos da falta de crédito e de expectativas deterioradasâ€, resume o representante da indústria.
De acordo com Monteiro Neto, os dados divulgados nesta terça-feira mostram a necessidade de ações mais intensas e abrangentes para se evitar a instalação de um processo recessivo no Brasil.








