Se exportação não se recuperar, produção industrial cairá 4,5%

O Radar: Produção, Tecnologia e Comércio Exterior”, mais novo boletim lançado nesta quinta-feira (23) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que a indústria brasileira pode registrar uma contração de até 4,5% na produção, caso se mantenha a queda registrada neste primeiro trimestre nas exportações.
 
O primeiro artigo do boletim, Impactos da queda nas exportações sobre a produção doméstica”, de Fernanda De Negri, Gustavo Alvarenga e Carolina Santos, mostra que, na média, a exportação industrial caiu 26% no primeiro trimestre de 2009 comparado com 2008; e o setor mais atingido foi o automotivo, com redução de 51% nas vendas para o exterior.
 
No segundo artigo do Radar, Considerações sobre a evolução recente do investimento no Brasil”, o autor Luiz Dias Bahia conclui que a redução da taxa Selic, mesmo que aprofundada, provavelmente terá influência apenas em 2010… Assim, resta manter o nível interno de atividade, pois o externo provavelmente será reduzido, apesar da desvalorização cambial, já que a retração do comércio internacional será significativa − principalmente quanto aos EUA e á  União Europeia, nossos principais mercados. Para tanto, são variáveis-chave o emprego e o consumo das camadas de menor poder aquisitivo − que poupam menos”.
 
O terceiro artigo, Planejamento das infraestruturas de logística e transporte”, de Josef Barat, alerta que, se o modal ferroviário deu suporte ao ciclo de desenvolvimento baseado na exportação de produtos primários (1880-1930) e o rodoviário ao da consolidação de complexa economia urbano-industrial (1930-1980), competirá á s cadeias logísticas multimodais dar suporte ao próximo ciclo, no longo prazo. Este será baseado nos aumentos de escalas no mercado interno, na nova inserção na economia mundial e na maior agregação de valor e competitividade das exportações”.
 
O Radar é fruto do trabalho dos técnicos de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos Setoriais (Diset) do Ipea. A publicação será bimestral e é um periódico de análise da nossa economia e da qualidade do nosso desenvolvimento, que pretende contribuir para uma agenda brasileira de desenvolvimento de longo prazo”, explicou o diretor Marcio Wohlers.

Soma

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