Renda menor no campo preocupa meios econômicos do Paraná
A redução de 16% da renda agícola do Paraná já começa a gerar uma certa preocupação nos meios econômicos paranaenses. Diante das duas estiagens que afetaram a produção da safra de grãos de verão e de inverno e da redução das exportações devido á crise mundial, a renda da agricultura do Paraná projetada para este ano deve diminuir em R$ 3,5 bilhões em relação a 2008, atingindo a casa dos R$ 18 bilhões.
Eu conversei com a economista da Federação da Agricultura do Paraná, Gilda Bozza, e ela me disse que a perda da renda dos produtores paranaenses é preocupante pelo seu efeito multiplicador. Ou seja, renda menor no campo significa menos dinheiro em circulação e com isso as vendas do comércio tendem a cair, em especial, a de implementos agícolas e utilitários. O comércio vendendo menos faz com que a indústria reduza a sua produção e o número de contratações tende a diminuir daqui para frente.
A quebra da safra e a conseqá¼ente diminuição da renda são sentidas com maior intensidade pelo pequeno produtor. Tomemos como exemplo um produtor que plantou 50 hectares de soja. Com a quebra da produção ele conseguiu vender o que produziu por R$ 6.150, o que lhe garantirá uma renda mensal pelo peíodo de 12 meses de apenas R$ 512, ou seja, um valor inferior ao salário mínimo regional de R$ 609.
As perdas do agronegócio do Paraná só não são maiores porque os preços de produtos como soja, cana-de-açúcar, mandioca e tomate aumentaram em relação ao ano passado. A cana-de-açúcar, por exemplo, apresenta elevação de R$ 50 milhões na renda do ano passado para cá – em 2008 ela foi de R$ 1,65 bilhão e neste ano evoluiu para R$ 1,70 bilhão. A recuperação está sendo proporcionada pela evolução dos preços – a projeção era de R$ 32,40 a tonelada em dezembro de 2008 e na estimativa relativa a março de 2009 o preço subiu para R$ 33,70 a tonelada.
Ainda segundo a pesquisa sobre o faturamento dos principais produtos agícolas cultivados no Paraná, realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a projeção para a safra de soja no estado em 2009 é de R$ 7 bilhões, R$ 1,5 bilhão inferior á do ano passado, quando alcançou R$ 8,5 bilhões. As perdas seriam maiores não fosse a evolução no preço do produto, que passou de R$ 41,40, em média, a saca de 60 quilos em dezembro de 2008 para R$ 43,80 em março, uma recuperação de R$ 2,40 em cada saca.
No caso da mandioca, outro produto que apresenta elevação de renda, ela deve passar de R$ 470 milhões no ano passado para R$ 675,4 milhões este ano. O produto apresentava uma perspectiva de preço de R$ 204,30 a tonelada em dezembro de 2008 e evoluiu para R$ 218,10 a tonelada em março de 2009. O tomate, que no ano passou proporcionou renda de R$ 177 milhões, deve gerar renda de R$ 276 milhões este ano, beneficiando os agricultores familiares que cultivam o produto. No milho, o faturamento bruto do ano passado, de R$ 5,4 bilhões, caiu para R$ 3,4 bilhões este ano.








