Negociações salariais estão melhores este ano
As negociações salariais de 245 categorias com data-base no primeiro semestre de 2009 registraram melhores resultados que os apurados em 2008, segundo levantamento realizado a partir de dados reunidos pelo Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS), mantido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Isso revela que a crise econômica internacional teve poucos efeitos sobre a negociação coletiva.
Nos primeiros seis meses do ano, 77% dos reajustes salariais analisados ficaram acima do INPC-IBGE. No ano anterior, a proporção foi relativamente menor: cerca de 72%, ou 5 pontos percentuais a menos. Quanto aos reajustes iguais ao índice, observou-se um aumento de 1 ponto porcentual em 2009.
Outro dado que se destaca no primeiro semestre deste ano é a maior ocorrência de
aumentos reais acima de 4%. No entanto, houve, também, uma acentuada concentração dos reajustes em patamares bastante próximos ao índice inflacionário. Isto se constata, principalmente, pela queda no número de reajustes localizados na faixa de 1,01% a 2% de ganhos reais (30 a menos na comparação entre os dois anos) e pelo aumento no número de reajustes localizados na primeira faixa de aumento real, o que representa 35 a mais segundo a mesma comparação.
Dos três setores de atividade analisados, a indústria mostrou maior redução na
magnitude dos aumentos reais em relação a 2008 enquanto o setor serviços registrou o avanço no total de documentos com ganhos maiores em 2009. Dentre as atividades que fazem parte do setor industrial, a comparação entre os resultados de 2008 e 2009 revela uma pequena redução no número de negociações com reajustes iguais e acima do INPC-IBGE para construção e mobiliário, indústria urbana e metalurgia, e a manutenção do comportamento para as demais atividades. Entre estas últimas destacam-se as negociações nas indústrias gráficas, têxteis e do vestuário, nas quais a totalidade dos acordos firmados trouxe reajustes iguais ou superiores ao índice.
No comércio – setor com o menor percentual de reajustes abaixo do INPC-IBGE em
2009 –, merece destaque o varejista e atacadista, que neste ano atingiu 100% de reajustes iguais ou superiores ao patamar inflacionário, resultado melhor que o verificado em 2008. Nos serviços, a negociação por reajustes salariais garantiu que um número maior de negociações em educação, saúde e turismo e hospitalidade conseguisse no mínimo recompor o INPC-IBGE. Apenas no segmento da comunicação houve redução no percentual de negociações com reajuste nesse patamar: de 93%, observado em 2008, para 80%, em 2009.








